O turista que vai a Paranapiacaba deve estar preparado para andar muito. Apesar de relativamente pequena, a Vila foi erguida, não se esqueça, em plena Serra do Mar, com subidas íngremes e descidas que exigem cuidado, sobretudo quando cai a inevitável garoa do final da tarde. Você lembrará disso quando for visitar a casa do engenheiro responsável, Daniel Makinson Fox, conhecida por “Castelinho”.
Erguida sobre um morro para que ele pudesse ter uma ampla visão do pátio de manobras e dos prédios administrativos da SPR, a casa merece ser visitada, tanto pela vista que oferece quanto pela riqueza arquitetônica, seus jardins, seus detalhes construtivos e diversas outras razões que cada visitante descobre à sua maneira (não perca matérias sobre a arquitetura na próxima semana).
Depois que a Vila foi comprada pela prefeitura de Santo André, artistas e artesãos foram convidados a se instalar nas casas existentes na parte baixa, originalmente ocupadas por famílias de funcionários e, mais tarde, alvo de invasões. Com a condição de cuidar da manutenção do imóvel, eles ganharam o direito de explorar atividades econômicas ali.
Bom para o visitante, que encontra ateliês de artesanato e pintura, cafés, rotisserias, bares e casas de chá instalados nas residências centenárias. Há, claro, como em toda atividade econômica, a possibilidade de encontrar casas fechadas, mas uma ida ao centro de atendimento ao turista (informe-se na base da guarda civil ou no prédio da subprefeitura na Avenida Fox) sana qualquer dúvida.
Se a intenção for pernoitar na Vila, há opções de pousadas no local. São acomodações simples no estilo “bed and breakfast” (cama e café da manhã), a preços muito convidativos.
No dia seguinte acorde cedo. Aproveite para caminhar ainda sob a neblina antes que o sol apareça. Nas primeiras horas da manhã, o imponente relógio construído para, comenta-se, lembrar os trabalhadores súditos da rainha o quanto estavam longe de casa, fica ainda mais bonito. Com quase um século e meio, ainda funciona perfeitamente, retrato da pontualidade britânica em tudo o que faziam.
Se você aprecia fotografia, prepare sua câmera e cartões de memória. Haverá muito o que ser registrado. O lugar é inspirador. Não deixe de conhecer o Museu Tecnológico Ferroviário, que funciona nos antigos prédios que ainda abrigam os mecanismos do sistema funicular.
<b>FESTIVAIS</b>
No dia em que a reportagem esteve na Vila, suas ruas estavam movimentadas com gente trocando de roupa atrás dos carros, colocando seus tênis e pegando suas bicicletas. Grande parte delas disputaria uma das etapas do circuito brasileiro de corrida de montanha.
No mês de junho, o Festival de Bruxas e Magos agita a Vila, mas é em julho que Paranapiacaba tem seu principal evento cultural: o badalado festival de inverno.
Como não poderia deixar de ser, a Vila ferroviária mais importante do Brasil está prestes a receber de volta um de seus cartões postais. Depois de meses de conversa entre o Governo do Estado, a companhia que administra os trens urbanos na capital e a concessionária da malha ferroviária que passa por Paranapiacaba, a Vila terá um trem turístico funcionando, inicialmente, aos finais de semana.
As viagens sairão da Estação da Luz, passarão por Santo André, Ribeirão Pires e terminarão na estação que será reformada em Paranapiacaba.
<i>Explore os caminhos de Paulo Godoy pelo mapa da Vila abaixo:</i>
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