A Avenida Brasil


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A Avenida Brasil é, indiscutivelmente, um dos pontos comerciais mais dinâmicos de nossa cidade. Tem na sua história muitos “causos” e narra a ascensão e a decadência de vários símbolos da economia calçadista local. Importantes eventos políticos ali aconteceram, a exemplo da primeira grande greve dos sapateiros, início da década de 1980. Mobilização que se iniciou com as fábricas parando em efeito dominó, descendo pela Brasil, passando pela Presidente Vargas e concentrando-se na sede do Sindicato dos Sapateiros, na Rua Padre Anchieta. Participei ativamente dela e até hoje alguns ex-empresários gostam de fazer comentários sobre essa minha participação. Foi um dos maiores momentos de aprendizado político que já tive. Infelizmente, os ex-empresários não aprenderam nada. A Avenida Brasil é também vitrine de valores culturais do nosso Brasil e, principalmente, do interior. Logo que entramos nela, chegando pela Presidente Vargas, temos a Praça das Bandeiras, modesta, aconchegante e talvez, um dos poucos espaços disponíveis na cidade para encontros de lazer de aposentados. Mais adiante começam os contrastes da vida econômica e social. Estabelecimentos comerciais tradicionais e antigos convivem com empreendimentos novos, alguns arrojados e esteticamente avançados para a tradição da avenida. Essa realidade da Avenida Brasil transmite a ideia de que ali se disputa e se ocupa cada milímetro quadrado de área. É, entretanto, estreita, criando a aparência de “amontoado”. É região comercial que se destaca também pela sujeira permanente de suas calçadas, causada principalmente pelos próprios estabelecimentos. Supermercados, bares e magazines optam por ações de atração popular e assim transformam suas campanhas em verdadeiros carnavais. Passa a campanha, fica a sujeira. É impressionante a capacidade de poluir localizadamente. O mais interessante é que a sujeira ali permanece por dias e dias. A poluição visual também é forte. Destoa completamente de qualquer outra região comercial francana. Duvido que alguém consiga decifrar a infinidade de informações que o conjunto dos estabelecimentos comerciais ali localizados apresenta em suas fachadas. É uma forte demonstração latina. Lembra cidades paraguaias e mexicanas. Tudo muito carregado, muito escrito, toldos de todos os tipos e tamanhos e muita cor. Aliás, ultimamente, certas cores têm sido um enorme problema. Não sei quem teve a “maravilhosa” idéia de trazer o Pelourinho (importante centro cultural de Salvador, Bahia) até nós. Refiro-me às fortes cores tropicais que alguns utilizam em seus estabelecimentos (fenômeno, aliás, que também acontece no resto da cidade). Não se utiliza qualquer critério estético para o uso de cores. Pintam de amarelo porque a loja, sei lá, chama-se Canarinho ou, como me confidenciou um lojista, pintará de “verde papagaio” a sua loja porque quer “abafar” o vizinho concorrente. Bem. Acho que com este meu comentário, deixará de pintar sua loja. Felizmente poupo a Avenida Brasil de mais um “desgosto” estético. Há 25 anos esta Brasil faz parte do meu cotidiano e continuará pela minha vida afora. Ela é, quase, a própria história francana contada em capítulos. Passa da hora do Poder Público dar atenção àquela região. Também é hora da comunidade empresarial ali estabelecida desenvolver um plano de recuperação e valorização à altura de sua importância e história. Alguém já disse que quem gosta de feiúra e pobreza é intelectual de boteco. Concordo. O ser humano comum gosta de beleza, de conforto e bem-estar. Cassiano Pimentel Agente de exportação e professor universitário

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