Indiciamento de jornalistas provoca protesto da ABI


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NA DEFESA - O advogado e consultor do Comércio da Franca, Setímio Salermo, disse que pode recorrer ao Tribunal de Justiça para reverter decisão
NA DEFESA - O advogado e consultor do Comércio da Franca, Setímio Salermo, disse que pode recorrer ao Tribunal de Justiça para reverter decisão
Com mais de cem anos de história na defesa do direito de informar com liberdade, a ABI (Associação Brasileira de Imprensa) divulgou, nesta quinta-feira, uma nota de protesto contra o indiciamento de dois jornalistas do Comércio da Franca por "crime contra honra" com base na Lei de Imprensa, que está suspensa pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Essa foi a terceira entidade a manifestar apoio aos profissionais e ao jornal. Antes, a APJ (Associação Paulistas de Jornais) e a ANJ (Associação Nacionais de Jornais) já haviam publicado nota de repúdio. Os repórteres Renata Modesto e Marcos Junqueira são acusados pelo promotor de Justiça Claudemir Aparecido de Oliveira de praticar "crime contra a honra" por terem narrado a postura do delegado José Carlos de Oliveira na noite do dia 27 de dezembro de 2007. Naquela ocasião, o delegado protagonizou uma confusão no plantão policial. Testemunhas afirmam que José Carlos, muito alterado, teria xingado um policial militar, chamando-o de "policialzinho de merda". Em depoimento, o PM confirmou a agressão. Ainda assim, os jornalistas foram enquadrados pelo promotor na Lei de Imprensa, suspensa por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Carlos Ayres Brito, por terem supostamente ofendido o delegado em reportagem publicada pelo Comércio, na qual narravam os fatos. Para alguns dos maiores especialistas em direito da comunicação do País, a situação é absurda, já que a lei está suspensa e não poderia ser usada como base para processos. Apesar disso, os dois profissionais tiveram seus nomes inclusos no rol dos réus criminais e estão com suas "fichas sujas" na polícia. No documento divulgado nesta quinta-feira, a ABI, uma das mais importantes entidades de defesa do exercício livre da profissão de jornalista e que congrega profissionais de rádio, televisão e jornal, se diz estarrecida com o caso dos repórteres do jornal. "Além de apresentar sua vigorosa solidariedade aos companheiros denunciados e ao Comércio da Franca, que sofre uma intolerável agressão à sua liberdade de informar, a ABI considera necessário dirigir um apelo ao promotor Claudemir Aparecido de Oliveira para que reconsidere sua manifestação, pelo absurdo em que se constitui o indiciamento de cidadãos com fundamento em legislação excluída do universo jurídico". A nota é assinada pelo presidente da associação, Maurício Azêdo. Fundada em 1908, a ABI participou ativamente da história do País. Em 1992, Barbosa Lima Sobrinho, então presidente da ABI, foi o primeiro a assinar o pedido de impeachment do ex-presidente do Brasil, Fernando Collor de Mello, apresentado à Câmara dos Deputados, em Brasília. Joelma Ospedal, editora-chefe do Comércio, conside ra de fundamental importância a manifestação das associações de imprensa. "O respaldo de entidades de peso como a ABI, APJ e ANJ deixa claro o quão absurda é a situação. Tanto a agressão à liberdade de informar, quanto o fato do indiciamento dos profissionais ter sido fundamentado em legislação suspensa”, disse. O Comércio da Franca espera a notificação oficial dos profissionais para tomar as medidas cabíveis. "Se preciso for, ingressaremos com um habeas corpus no Tribunal de Justiça", disse Setímio Salermo, advogado do jornal.

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