A balança comercial de Franca fechou 2008 com um saldo positivo de US$ 202 milhões, US$ 2 milhões a mais que no ano anterior. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, as exportações somaram US$ 231,3 milhões e as importações ficaram em US$ 29,2 milhões.
O calçado ainda é o principal produto francano a ser vendido fora do Brasil (US$ 127,7 milhões), seguido pelo couro bovino (US$ 58 milhões) e pelo café (US$ 28,6 milhões). Já os produtos mais importados no município foram borrachas e adesivos usados na fabricação de solados e colas (US$ 8,4 milhões) e couros suíno e caprino para a produção de bolsas e sapatos (US$ 3,5 milhões).
Os números fazem referência ao ano todo e, por isso, não mostram as alterações sofridas depois de setembro com a crise econômica mundial que assolou os mercados. Para os especialistas, mais importante que os valores, o levantamento mostra a diversificação na produção da cidade.
Segundo o economista Hélio Braga, o resultado positivo era esperado, mas tem dois componentes a mais: maior variedade na pauta de exportações - com itens como lingeries, hidroturbinas e aviões de pequeno porte - e o aumento do preço médio da tonelada exportada (sem considerar o produto), que saltou de US$ 5 para US$ 9. “Isso significa que a cidade passou a exportar produtos de maior valor, que exigem especialização da mão-de-obra e investimento em matérias-primas”, explicou.
VAI PARA ONDE?
O economista Hélio Braga chamou atenção ainda para o aumento das vendas para países da América Latina. Apesar dos principais destinos dos produtos locais continuarem a ser os Estados Unidos e a União Europeia - cerca de 45% -, o interesse de países como a Venezuela, que comprou US$ 18,3 milhões em produtos francanos, tem incentivado os empresários da cidade. “Com o tempo, a dependência dos EUA poderia se tornar um limitador de preços. E a diversificação também é sinal de que os produtos de Franca são bem aceitos em outros mercados”, disse.
Para José Carlos Brigagão do Couto, a ampliação das exportações para mais de cem países foi uma exigência do mercado mundial. “A competição com a China e perda de espaço nos EUA fizeram com que passássemos a fabricar calçados de maior valor agregado e procurássemos alternativas”, disse.
Na outra ponta da balança, Marco Aurélio Cunha, assistente de importação do Grupo Amazonas, explicou que em 2008 o aumento na importação de borracha e adesivos para a fabricação de solados e colas foi provocado pelo crescimento no consumo. “Este ano esperamos que o volume de produção se mantenha. A demanda pode até ser menor, mas os preços devem ficar melhores para a compra fora do Brasil devido à recente queda no preço do barril do petróleo”, disse.
CRISE
A divulgação do resultado positivo de 2008 foi ofuscada pelo registro dos primeiros reflexos da crise econômica internacional na balança comercial do País. Em janeiro, as exportações brasileiras tiveram um déficit comercial (diferença entre o valor exportado e o importado) de US$ 518 milhões - queda de 22% em relação ao mesmo período de 2007.
Os números referentes ao mês de janeiro para os municípios ainda não foram publicados, mas de acordo com o economista Elvisney Aparecido Alves devem seguir o ritmo nacional. “É difícil que o cenário se mantenha positivo como em 2008. Isso porque houve uma redução na demanda mundial. No ano passado, a crise ainda não havia sido sentida por aqui, mas deve se aprofundar até o mês de abril e ninguém sabe até quando vai persistir”, disse.
José Carlos Brigagão é um pouco mais otimista. “Sabemos que no primeiro semestre deste ano vamos enfrentar muitos problemas, mas acredito que em julho a situação deve começar a melhorar”, prevê.
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