Os terrenos baldios da Rua Marcos Abrão, no Residencial Nosso Lar, são alvos constantes de despejo irregular de lixo. A via não tem saída e há poucas casas ao redor. O isolamento facilita a ação das pessoas. Ontem havia nos terrenos, além do mato, mais de 70 solas de calçados, retalhos de couro, tijolos e restos de móveis.
Os vizinhos flagram com frequência caminhões, carroceiros e carros pararem nos locais e despejarem o lixo, mas não os denunciam por medo. O funcionário público aposentado Lázaro Jerônimo, 68, mora na Rua Valdir Caetano Borges, no mesmo bairro, há nove anos, e é uma dessas testemunhas.
Comércio da Franca - O senhor sempre presenciou o depósito de lixos e entulhos aqui?
Lázaro Jerônimo - Todo dia é isso aí. O dia inteiro.
Comércio - Quem faz isso?
Lázaro - É carroceiro, é caminhão, é carro. Jogam cachorro morto, colchão, sofá. Os outros estão passando e eles vão jogando o lixo.
Comércio - É um incômodo para o senhor?
Lázaro - É claro. Para mim e para todos os vizinhos aqui. Nós sofremos com esse mato e lixo. É falta de educação. Tem um terreno do lado da minha casa cheio de rato, barata por causa do lixo jogado pelas pessoas.
Comércio - O que o senhor sugere para resolver esse problema?
Lázaro - A Prefeitura tem que acionar esses donos de terrenos para limpar ao menos de dois em dois meses.
Comércio - O senhor já tentou anotar as placas dos veículos para denunciar essas pessoas?
Lázaro - Não. Isso aí eu não faço porque é perigoso. Eles atacam a gente depois se souberem. E na Prefeitura eu já fui várias vezes, mas eles não tomam providência.
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