Fui amigo do Adilson. Ele era um "negrão" bem apessoado, elegante, letrado, se vestia com roupas de marca e perfumes importados. Foi com ele que vi o primeiro pente especial para manter em dia cabeleiras black power. À dele, reserva intermináveis horas de cuidados.
Fora das quadras - onde era um ala/pivô canhoto de impulsão descomunal e que não gostava de perder -, podia-se engrenar com ele conversas sobre quaisquer assuntos. Devorava jornais, revistas, livros e tinha conhecimento acima da média. Gostava de música. Ah! Gostava muito, principalmente da black music norte-americana. Sabia tudo sobre a Motown (principal gravadora negra americana) e invariavelmente me convidava a ouvir vinis novos, importados por ele ou enviados por amigos que residiam nos EUA.
Apresentou na Rádio Difusora, por determinado tempo e em noitadas de fim de semana, programas integralmente baseados nas faixas inéditas que possuía. Entre as músicas mandava um papo gostoso, repleto de seus pontos-de-vista sobre assuntos nacionais e internacionais. Falava sempre o que pensava. Para os menos avisados, quem ouvia Adilson dizia que ele não precisava nem ser tão campeão.
Foi ele, também, de passarelas. No ano em que a Associação Atlética Francana ascendeu à Primeira Divisão (puxa, que saudade. Bem que podia acontecer de novo!), dentre todos os empresários que ajudaram naquela campanha, havia o Geraldo Braga, paulistano que resolveu investir aqui e o fez montando o Braga`s For Men, com as mais importantes marcas de vestuário masculino daqueles anos.
A empresa inaugurou também, na cidade, os desfiles de lançamentos de produtos. Dentre os modelos, dois eram figuras carimbadas da `Braga`s`: Adilson e Assis, aquele centro-avante que deixou saudade nos torcedores da Francana, andou pelo São Paulo, Fluminense, Seleção Brasileira.
Sei que Assis está bem e mora no Rio de Janeiro. Adilson, nunca mais vi. Soube de sua morte, aos 57 anos. Triste. Nós, que convivemos aqueles tempos com respeito e muito debate, ficamos órfãos de mais um bom amigo.
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