O prefeito Sidnei Rocha (PSDB) foi derrotado durante a sessão da Câmara Municipal, ontem. O projeto que remanejava verbas de R$ 1,7 milhão do orçamento municipal para a realização de obras na cidade e para compra de equipamentos obteve oito votos favoráveis. Para ser aprovado, eram necessários dez. A postura do PTB em plenário foi decisiva durante a votação. Aliados do prefeito, os três vereadores da bancada - Vanderlei Tristão, Josivaldo Bahia e Pastor Otávio - posicionaram-se contra a matéria alegando que ela não detalhava como os recursos seriam aplicados. De quebra, conseguiram convencer os colegas Válter Gomes (PSB), Silas Cuba e Paulo Afonso Ribeiro, do PT, e Graciela Ambrósio (PP).
Antes de ser rejeitado, o projeto foi alvo de muitas discussões. Vanderlei Tristão tentou o adiamento por uma sessão para que o Executivo pudesse documentar e detalhar como quer aplicar o dinheiro. "Não estou propondo rejeitar, mas sim questionando a falta de instrução", disse Tristão no plenário. Durante a votação do adiamento sete vereadores aceitaram e sete recusaram. O presidente da Câmara, Joaquim Ribeiro (PSB), deu o voto de minerva e não acatou a sugestão. Queria que o projeto fosse votado ontem mesmo.
Tristão não desistiu. Pediu para que fosse feita uma ressalva na matéria pedindo explicações detalhadas o que, na prática, barraria a utilização dos recursos. Sua principal dúvida era por que - e de que forma - a Prefeitura utilizaria R$ 320 mil na pavimentação uma avenida no City Petrópolis. Segundo o vereador, uma obra maior nos predinhos do bairro, realizada há dois anos, consumiu os mesmos recursos .
Jepy Pereira (PSDB), líder do prefeito da Câmara, manifestou seu voto antes mesmo do início da votação. "Nós da bancada do PSDB somos contra (a ressalva)", disparou. Joaquim, então, deu início à votação e, mais uma vez, o presidente da Casa foi decisivo no resultado. Após novo empate em sete a sete, o peessebista votou contra. Sem mais ponderações a matéria seguiu para a votação. Todos mantiveram a postura e o projeto foi rejeitado.
Tristão lamentou a postura dos vereadores que recusaram adiar o projeto. "Demonstrei claramente que sou conciliador e propus para que adiássemos a sessão. Isso não ia causar prejuízo, as obras não iriam começar amanhã", disse o vereador, que ficou satisfeito com o resultado final. "Alguns vereadores insistem em votar projetos mesmo sabendo que são complexos e que não têm documentação necessária. Não estou aqui para fazer esse papel", completou.
Mesmo depois de encerrada a sessão, a discussão continuou entre alguns vereadores. Silas Cuba (PT) voltou ao plenário e disse que o resultado da sessão dá mostras de que a Câmara não será a mesma de anos anteriores. "Esse é o início de sua independência".
ADIADOS
Os outros dois projetos enviados à Câmara pelo prefeito Sidnei Rocha (PSDB) foram adiados por uma sessão. O primeiro prevê a incorporação dos salários dos servidores que atuam em cargos comissionados e o outro destina recursos à Sociedade Francana de Instrução para os Cegos.
No projeto da incorporação, a solicitação de adiamento foi feita pelo vereador Válter Gomes (PSB). Sua alegação foi de que a Prefeitura precisa apresentar o impacto financeiro que a medida causará no orçamento municipal.
Já para a segunda matéria, a vereadora Graciela Ambrósio (PP) quer que a Comissão de Assistência Social da Câmara dê um parecer ao projeto. Assim como Sidnei, a vereadora também viu dois projetos de lei apresentados por ela serem adiados (leia mais em texto de apoio).
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