Delegado que apoiou greve é removido para Dumont


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REMOÇÃO COMPULSÓRIA - George Theodoro Ary, em imagem de arquivo: policial é removido de Cristais Paulista dez meses após assumir a delegacia da cidade. Para ele, houve retaliação
REMOÇÃO COMPULSÓRIA - George Theodoro Ary, em imagem de arquivo: policial é removido de Cristais Paulista dez meses após assumir a delegacia da cidade. Para ele, houve retaliação
O delegado de Cristais Paulista, George Theodoro Ary, foi desligado da Seccional de Franca e removido compulsoriamente para Dumont, na região de Sertãozinho. O policial acredita ser vítima de retaliação. George apoiou publicamente a greve da categoria no ano passado e criticou o governador José Serra (PSDB). O delegado seccional, Maury de Camargo Segui, nega que a remoção seja uma retaliação e disse que a medida se deu por “interesse do serviço policial”. George assumiu a delegacia de Cristais em março do ano passado. A cidade era uma das sete da região de Franca que não tinham delegados próprios. Dez meses depois, o policial teve a remoção compulsória aprovada por unanimidade pelo Conselho da Polícia Civil. “Foi uma surpresa. Lutei dois anos para vir para cá e vinha fazendo um bom trabalho. Fui homenageado pela Câmara e pelo prefeito. Nunca tive problema com ninguém”, disse o policial. A remoção foi solicitada diretamente pelo delegado seccional em novembro. A decisão foi publicada no Diário Oficial de sábado. Segui não revelou os motivos de sua solicitação, mas deixou claro ter problemas com Ary. “É uma questão interna da Polícia Civil. Posso dizer que a remoção atendeu ao interesse da administração que faço na região. Por alguns acontecimentos pontuais, sua forma de agir se destoava um pouco dos demais delegados”, afirmou. O principal motivo, segundo Ary, foi sua adesão pública à greve dos policiais civis, de setembro a novembro do ano passado. O delegado de Cristais se deixou fotografar ao lado do deputado estadual Major Olímpio (PV), que veio à região fortalecer o movimento, e fez comentários públicos elogiando a paralisação e criticando o governador José Serra (PSDB), a quem chamou de “José Chirico Serra”. Além disso, Ary teve contra ele uma representação na Corregedoria da Polícia Civil protocolada por um promotor de Justiça - seu nome não foi revelado - que teria, durante a greve, solicitado verbalmente a liberação de um veículo retido em Cristais para um amigo. Como o delegado negou, o promotor alegou à Corregedoria que Ary havia prevaricado. Ary diz que recorrerá à Justiça para tentar reverter a remoção. Caso não consiga, terá de se apresentar em Dumont ainda em fevereiro. O delegado da DIG, Márcio Murari, responderá interinamente por Cristais, onde mora.

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