Pela facilidade e agilidade com que os excelentíssimos vereadores votaram e aprovaram a realização de duas sessões por semana, mudando também o início dos encontros na Câmara para as 17 horas, só mesmo eles para acreditar que a população sairia ganhando.
O argumento de que o povo poderia participar mais das reuniões não convenceu a ninguém. Na verdade, político gosta de eleitor bem distante. Proximidade somente na época de campanha eleitoral. Depois, quanto mais longe melhor.
Principalmente quando houver regime de urgência para ser votado. Nesses momentos, o debate não cai bem. A prova disso está em uma das últimas atitudes dos vereadores da legislatura anterior.
Rapidamente apresentaram projeto para aumentar o número de edis. Ilegal e comodamente embarcaram no movimento de votação do Senado e da Câmara Federal para dar mais parlamentares aos municípios em função da quantidade de habitantes de cada cidade.
Se o grupo de vereadores do mandato passado provou ser um dos piores da história legislativa francana, este que aí está parece querer seguir o mesmo caminho, haja vista para as trapalhadas do primeiro mês de trabalho. De início, pouca coisa mudou. Afinal, já era de se esperar uma vez que a troca de cerca de 50%, ainda por cima contando com a volta de ex-vereadores, não representou quase nada para mudar a face da atual Câmara.
Na antiga legislatura um vereador dormiu durante reunião. O fato se deu enquanto um cidadão reivindicava posição dos parlamentares sobre uma causa de apelo popular. As câmeras fotográficas dos repórteres registraram. Na época, o Comércio publicou as fotos a respeito do sono profundo em plena sessão da tarde, para ilustrar a reportagem.
Eleito novamente o dorminhoco agora demonstrou atitude pior ainda. Ao tentar dar explicações sobre ter votado favoravelmente para a realização de duas reuniões semanais e apresentado emenda trocando o início das sessões das 14 para as 17 horas, revelou que vai até a Câmara somente uma vez por semana, mas não vê problema nisso porque atende à população em seu posto de trabalho. Alguma coisa está errada. Seu serviço normal não é no setor privado e empresa pública não pode ser transformada em comitê eleitoral permanente.
Para mostrar o mesmo descaso do passado, na sessão da última terça-feira um dos vereadores lia uma revista no momento em que comerciante ambulante falava na tribuna. Pela foto, pode-se imaginar que o vereador pouco se importava com o rogo popular para que houvesse rejeição ao projeto do prefeito sobre o uso de áreas públicas por parte dos donos de bolotas.
Não bastasse o desprezo de grande parte dos vereadores para com as reivindicações populares, a atual Câmara já demonstrou talento para embolar o meio de campo. Em menos de um mês foram votados e “desvotados” dois projetos. O retorno da sessão para o horário de costume ocorreu graças ao quarto poder, no caso, este Comércio.
Resta agora acompanhar e aguardar a performance dos vereadores por mais 47 meses. Muita coisa ainda virá, certamente. Loteamento novo é o que não falta na cidade. Cada sessão dará então para discutir e pôr nome numa nova rua. Quanto ao mais, a maioria parlamentar poderá dizer simplesmente amém! Para quem?
Antônio Araújo
Professor de redação - tonin.palavras@uol.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.