Ponto de equilíbrio


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Não há novidade no fato de que existem períodos cíclicos na vida de uma empresa, com seus altos e baixos no volume de produção ou de negócios. Boa parte destes altos e baixos pode ser creditada à gestão falha ou aos costumes enraizados, que aceitam, por exemplo, este fato como uma fatalidade: no começo do ano o faturamento sempre cai! Por que será que cai para alguns e outros nem tomam conhecimento que a folhinha mudou de ano? Mas isto é motivo para outra análise. Vamos nos concentrar no fato de que a produção caiu. Até onde esta queda está suportável ou, melhor, até onde posso permitir esta queda sem entrar na faixa do prejuízo? Aí entra em jogo uma ferramenta empresarial, muito pouco usada, mas essencial para uma boa gestão administrativa: determinação do ponto de equilíbrio, tanto em produção por unidades como em valores de vendas. Em que ponto a empresa está equilibrando o seu custo com a sua receita? Sei perfeitamente que a grande maioria dos empresários nem sabe se está ganhando ou perdendo dinheiro pela simples inexistência de uma contabilidade de resultados confiável. Não se poderia exigir deles, então, que estivessem calculando ponto de equilíbrio para saber qual é o ponto de produção ou de vendas que a empresa tem que manter ou deve atingir, para se manter na faixa do lucro. O ponto de equilíbrio é um cálculo que deveria ser ensinado em qualquer faculdade de administração ou de ciências contábeis. Se não está é uma pena. Ainda assim os contadores deveriam se instruir quanto a este cálculo para ajudar os empresários na difícil tarefa de determinar qual é quantidade necessária de pares a produzir ou quanto devem faturar por mês para ter uma empresa pelo menos equilibrada em termos econômicos e financeiros nestas épocas pouco róseas como a que agora estamos entrando. Este é um ponto vulnerável em qualquer análise comum onde se misturam conceitos econômicos com os financeiros. Exemplo? Podemos estar num aperto financeiro para ninguém botar defeito. Mas se a empresa é economicamente viável, ou seja, produz lucro, o aperto financeiro é uma questão de tempo para acabar. Posso até ter um ativo realizável de bom tamanho, mas se a empresa acumula prejuízos na sua atividade e não se preocupa em corrigir, é só questão de tempo quando vai acabar. A lista de empresas que quebraram “inexplicavelmente” é longa. O ponto de equilíbrio pode ser demonstrado de duas maneiras: algébrica ou graficamente. Tanto faz qual delas aplicar, porque nas duas maneiras teremos a orientação de que precisamos. Os dados necessários são simples. Qualquer empresa minimamente organizada deveria ter a possibilidade de gerá-lo na ponta dos dedos, ou ao toque do teclado do computador. Devo conhecer o custo fixo e o custo variável das minhas operações ou dos meus produtos, sendo que os dois custos representam os valores líquidos, sem o lucro. Já que o lucro dependerá dos valores citados e principalmente do volume vendido, que poderá ser produzido, devo também ter uma idéia de quanto quero ganhar sobre as vendas. O gráfico, ou equação algébrica, será montado sobre estes valores e assim tenho uma orientação segura do volume de produção ou de vendas que tenho que atingir para não cair na zona do vermelho, no prejuízo. O que deve ser feito no sentido de corrigir o rumo já é outro assunto, de caráter gerencial. O estabelecimento do ponto de equilíbrio é o passo inicial dessa indispensável reorientação. ADAPTANDO A empresa americana Wolwerine World Wide, produtora da marca Hush Puppies, dentro do programa de racionalização dos trabalhos e de economias para fazer frente à nova situação econômica dos mercados globais, eliminou 450 postos de trabalho em dezembro de 2008. A WWW importava grandes volumes de Franca nas décadas de 1980 e 90. Seu comprador, Dick Solar, era uma pessoa muito querida dos calçadistas francanos. DOBRANDO Os produtores italianos da área de Le Marche se queixam de queda de produção de 5,7% em comparação com 2007, embora os calçados de alto valor tenham dobrado a exportação atingindo 12,6 milhões de pares principalmente para a China, nos primeiros nove meses de 2008. EFEITOS SE EXPANDEM O Vietnã começou a sentir os efeitos da crise global. As fábricas de confecções, têxteis, móveis, alimentos, produtos eletrônicos e calçados – principalmente estas – dispensaram nos últimos meses 10.726 operários somente na cidade de Ho Chi Minh City (como é hoje denominada a antiga Saigon). AINDA O VIETNÃ A despeito disso os industriais locais esperam crescimento de exportações entre 12 e 13% em 2009. A esperança reside nos mercados de Oriente Médio e da África, que compensariam as perdas sensíveis em mercados tradicionais como Estados Unidos e Europa. Zdenek Pracuch Sapateiro, shoemaker – pracuch@comerciodafranca.com.br

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