Democrata fecha unidades na região e demite 158 pessoas


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A Democrata, uma das mais tradicionais empresas calçadistas de Franca, fechou ontem as unidades de corte e pesponto de Cássia e Capetinga (MG) e deixou 158 funcionários desempregados nas duas cidades. O fechamento era estudado desde o ano passado e teria ocorrido em razão da crise econômica. Há dez dias, a empresa demitiu outros 94 trabalhadores de Franca e das unidades cearenses de Camocim e Santa Quitéria. O motivo alegado, via assessoria de imprensa, foi a reestruturação organizacional da empresa necessária por conta do atual momento financeiro que assola o País. As dispensas desta segunda-feira foram confirmadas pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Confecções, Calçados e Estamparias de Passos (MG), que se surpreendeu com a notícia. “Sabíamos que a empresa havia dado férias coletivas, mas não tínhamos conhecimento das demissões. Confirmei agora com o RH e nos disseram que não houve reação do mercado, por isso decidiram fechar as unidades”, disse a presidente do sindicato, Maria dos Reis Alves, mais conhecida como Deide. A produção de corte e pesponto nas duas cidades estava de férias coletivas desde o dia 18 de dezembro. A previsão de retorno era para o dia 20 de janeiro, mas na data houve o pedido de mais 11 dias de prazo para uma decisão oficial da empresa. Além dos encerramentos das atividades, um funcionário da empresa, com cargo gerencial, disse na semana retrasada que a direção também estudava dois outros cenários para as unidades. Redução significativa da produção ou transferência total dos funcionários para outra empresa do setor. A sindicalista Deide disse que as demissões atingiram 38 trabalhadores em Capetinga e 120 em Cássia. Os funcionários ganhavam em média R$ 500 mensais. Nas duas unidades, eram produzidos de 800 a mil pares/dia. “Como não houve um contato para a apresentação de propostas de negociação, acreditamos que os pagamentos das demissões serão à vista”. Em Capetinga, o chefe de gabinete da Prefeitura, Ênio Sérgio Campos, disse que a Democrata era a maior empregadora da cidade depois da administração pública e tinha benefícios como a isenção de tributos municipais. A empresa, que estava na cidade havia quatro anos, também não pagava aluguel pelo uso do prédio onde funcionava. “A Prefeitura vai tentar de todas as formas trazer outra empresa, independente da área, para a cidade. A Democrata também disse que negocia com duas empresas”. A Prefeitura de Cássia disse em nota que a prefeita Ana Maria Cáris (PT) tentou uma negociação para manter a unidade da empresa na cidade, o que não foi possível. Porém a diretoria da Democrata teria se comprometido a negociar a absorção da mão-de-obra cassiense por outra empresa. Três empresas estariam interessadas, mas até as 17 horas de ontem nenhuma negociação havia sido concluída. Até o começo da noite de ontem, a Democrata não tinha se manifestado sobre as demissões.

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