A falta de um planejamento das autoridades locais para enfrentar momentos de crise ficou evidente em julho do ano passado, quando a cidade ficou sem água por uma semana. As informações eram desencontradas, telefones da Sabesp entraram em pane e caminhões-pipa seguiam para os bairros sem prévio aviso. Irritada, a população protestou fechando ruas e ateando fogo em pneus. O despreparo e a necessidade de um plano de ação eficaz foram o tema da Gazetilha escrita pelo jornalista Corrêa Neves Júnior e publicada pelo Comércio da Franca no dia 27 daquele mês.
O capitão Alexandre, presidente da Defesa Civil local, já vinha trabalhando na elaboração de um Plano de Contingência. Depois do episódio da falta d’água, concluiu que era necessário ter um registro efetivo de tudo o que o município pode oferecer em termos de recursos numa emergência e se empenhou na conclusão do referido plano. O material ficou pronto e está sendo encadernado. Dentro de 20 dias, deverá ser encaminhado à Prefeitura, ao governo do Estado e ao governo federal para que as autoridades tomem conhecimento. Depois de aprovado, sua intenção é atualizar o documento a cada dois anos.
O plano indica os locais que receberão prioridade em caso de falta de d’água, como os hospitais e a cadeia pública. Também tem a relação de todos os poços artesianos da cidade. “Não podemos ‘descobrir’ soluções somente na hora em que o problema acontece. É preciso saber com antecedência quais caminhões-pipa vão abastecer os pontos essenciais e os pontos estratégicos para servir à comunidade. Agora, já temos estas informações. Com isto, vamos ganhar tempo, otimizar recursos e amenizar sofrimentos”. Pelos cálculos do policial, são necessários mais de 70 caminhões-pipa para abastecer a cidade.
No levantamento foram cadastrados 67 postos de gasolina e 59 depósitos de gás, estabelecimentos considerados como pontos de riscos permanente. Além das viaturas dos bombeiros, a Defesa Civil poderá contar com outras 20 ambulâncias de instituições diversas. Uma relação com nome e telefone possibilitará a convocação imediata de 140 voluntários.
Para o capitão Alexandre, o maior risco em Franca são os acidentes de trânsito com grande número de vítimas. Atualmente, 70% das ocorrências atendidas pelos bombeiros se referem a acidentes. “A cidade é referência de toda a região e recebe milhares de estudantes todos os dias. São vários meios de transporte que se deslocam para Franca. Esta é uma preocupação grande que temos”.
Depois dos acidentes, as enchentes aparecem como os maiores fatores de risco. O bombeiro afirma que a característica do solo favorece deslizamento de terra e interdição de imóveis. “Podemos ter desabamentos e vítimas em decorrência deste solo úmido e arenoso. Temos que estar preparados”. O Plano de Contingência levantou nove pontos críticos onde podem ocorrer enchentes. A Avenida Doutor Ismael Alonso y Alonso é apontada como o ponto mais vulnerável e a região do Galo Branco, a mais perigosa.
O policial não descarta o transbordamento nos dois córregos, mesmo com as obras de contenção, e pretende implantar uma “régua de enchente” nas margens para orientar a população sobre os níveis de risco em dias de temporal. São duas faixas nas cores amarelo e vermelho. A vermelha ficará a um metro do ponto de transbordo. Quando a água chegar a este ponto, a população será orientada a deixar a marginal imediatamente para não se tornar vítima. “As obras que estão sendo feitas são apenas paliativos, para minimizar. Não é uma coisa que vai resolver. Mas são ações que vamos tentar fazer para reduzir o efeito das chuvas”.
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