A Defesa Civil, sob a responsabilidade do capitão do Corpo de Bombeiros, Alexandre Luís dos Santos, concluiu, depois de um ano e meio de detalhado le vantamento, um trabalho de mapeamento dos recursos materiais e humanos disponíveis e dos pontos de risco existentes na cidade. As informações foram reunidas em um documento de 200 páginas e deram origem ao primeiro Plano de Contingência de Emergência de Franca.
Ele foi criado para ser consultado em situações de caos e permitir às autoridades desenvolver ações planejadas em casos de acidentes com muitas vítimas, enchentes, incêndios, desabamentos, tornados e abalos sísmicos. A finalidade é tornar a resposta mais rápida e objetiva. O levantamento feito sob a coordenação do capitão, com a ajuda de alunos do curso de Administração da Unifran (Universidade de Franca) e do Curso de Enfermagem da Escola Técnica “Doutor Júlio Cardoso”, é um passo importantíssimo para uma cidade que já enfrentou problemas sérios e não tinha nenhum plano de ação para amenizar o trauma. Por outro lado, o plano revela que a cidade não tem a estrutura necessária para enfrentar desastres de grande porte. “É preciso avançar”, diz o capitão.
O Plano de Contingência de Emergência reúne informações gerais sobre a história do município, instrução de procedimentos emergenciais, recursos disponíveis nas áreas de saúde, educação e segurança, relação dos postos de combustíveis e de depósitos de gás - tidos como áreas de risco permanente - plano para atuar na falta d’água, pontos críticos de enchentes, relação de empresas com Cipa (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) e lista de voluntários e dos órgãos de imprensa local. “Para que tudo isto? Para que numa emergência tenhamos catalogadas todas as possibilidades de acionamento destes órgãos, para saber onde posso colocar os desabrigados e quais os hospitais para os quais posso levar os feridos graves”, explica o capitão Alexandre. “Com o planejamento prévio, poderemos identificar onde há problemas e, também, oferecer um serviço melhor à sociedade nos casos de desastres naturais que fogem da nossa rotina”, completa o idealizador do plano.
Na área de Saúde, foram catalogados o número de hospitais e a quantidade de leitos e especialistas disponíveis. É neste ponto que a vulnerabilidade da cidade começa a aparecer. Juntos, os hospitais oferecem apenas 402 vagas. “É importante lembrar que o hospital não vai estar vazio. Na hipótese de um acidente com mais de 200 vítimas que precisam ficar internadas, vamos ter complicações. Será preciso transferir para Ribeirão Preto”.
A equipe responsável pela elaboração do plano também levantou cerca de 180 imóveis, entre escolas, creches, associações, ginásios de esporte e centros comunitários que poderão servir como alojamentos. O número é suficiente para receber dois mil desabrigados em condições de sobrevivência, menos de 1% da população local. Durante as chuvas que castigaram Santa Catarina, em novembro, por exemplo, 25 mil pessoas ficaram desabrigadas em Blumenau. A cidade tem 196 mil habitantes. “Às vezes, você tem até local para alojar mais pessoas, mas em uma situação precária. É preciso oferecer colchão, alimentação, água e energia elétrica. Hoje, estamos preparados para 2 mil vagas. Em caso de uma grande tragédia, teremos de nos adaptar para aumentar este número”.
Para o capitão Alexandre, o Plano de Contingência ajuda a identificar as fraquezas do município. As informações catalogadas mostram que a cidade não está preparada para enfrentar uma grande tragédia. “Até há pouco tempo, não tínhamos nada. Agora temos esse plano que será aprimorado e quero que se transforme numa referência nacional”, disse. “O ser humano nunca acredita que vai acontecer um acidente com ele e que a cidade nunca será atingida. Mas é preciso estar prevenido, antecipar os problemas para evitar o caos”, concluiu.
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