A liturgia da Igreja nos apresenta o quarto domingo do tempo comum que tem as seguintes leituras dos textos sagrados: Dt 18; I Carta aos Coríntios 7 e o Evangelho de Marcos no capítulo 1. O tema central é a "autoridade" da Palavra.
No livro do Deuteronômio o trecho escolhido nos fala da palavra do profeta, ou seja, a força que esta palavra possui. Em todos os tempos os homens sempre alimentaram o desejo de conhecer os mistérios de Deus e muitos recorriam e ainda recorrem à magia, aos bruxos e aos adivinhos. Em Israel estas práticas eram rigorosamente proibidas.
Como fazer para conhecer a vontade de Deus? O único meio lícito era recorrer ao profeta. O profeta não é um ser estranho caído do céu, é um ser humano, não é escolhido pelo povo como o rei, mas é suscitado diretamente por Deus. A ele são comunicados o pensamento e os planos do Senhor, para que os transmita aos irmãos, com fidelidade, sem nada acrescentar e sem nada tirar.
Que autoridade tem o profeta?
Se ele transmite fielmente aquilo que Deus lhe revelou, então suas palavras devem ser atendidas como sendo uma legítima mensagem de Deus; se, ao invés, ele anuncia suas próprias ideias, se inventa alguma coisa, então aquilo que ele diz não tem qualquer valor especial.
Diante desta leitura devemos pensar: hoje como ontem muitos querem vaguear para além dos limites impostos pela própria condição humana e descobrir os mistérios do mundo de Deus.
A verdade é: o homem não precisa tentar penetrar no mundo de Deus sorrateiramente, como um ladrão, passando através de uma passagem secreta, pois, é o próprio Deus que quer lhe dirigir a sua palavra e isto ele consegue através dos profetas. Deus não parou de falar com a humanidade. No passado se destacam Moisés, Isaías, Jeremias, João. Cristo foi e é o grande e eterno profeta.
Nos nossos dias a Igreja faz esta missão ser real: é por meio dela que Deus nos fala. Através da segunda leitura o apóstolo Paulo traz um sentido novo para um pensamento existente entre os israelitas e outros povos do seu tempo. Eles afirmavam que homens e mulheres que não se casavam e que não tinham filhos não eram merecedores de estima.
Escrevendo aos cristãos de Corinto Paulo enaltece a virgindade.
Ele afirma que o matrimônio é uma instituição muito sagrada mas que não é permitido esquecer o valor da união com o Senhor.
O apóstolo não ensina que os não casados são melhores do que os que vivem no matrimônio nem, muito menos, que o amor conjugal e a vida sexual afastam de Deus. Diz que o estado das pessoas virgens é especial, pois quem não tem uma família própria, está com o coração livre para dedicar-se por completo a Deus e a todos os irmãos, sem qualquer limite. O evangelho começa relatando que Jesus se põe a ensinar na sinagoga e a sua participação é muito apreciada porque, diversamente dos escribas, ele fala com autoridade.
Durante a catequese acontece o episódio central do evangelho de hoje: um homem possuído por um espírito imundo, que até aquele momento estava calmo e tranquilo e que não incomodou os participantes da celebração, a uma certa altura começa a gritar contra Jesus.
Jesus não se posiciona como adversário do demônio e sim age com autoridade diante dele. Ele lhe diz: "Cala-te, sai!" A sua palavra, de fato, tem autoridade, isto é, realiza aquilo que afirma.
O que significa este encontro? A situação do homem possuído pelo demônio representa a condição daquele que ainda não encontrou Cristo: vive subjugado por forças hostis que o destroem e que ele não consegue controlar. O demônio não deve ser imaginado como um pequeno ou grande monstro, mas como o conjunto de tudo aquilo que desumaniza as pessoas.
Forças demoníacas são: os sentimentos racistas ou tribais que impelem ao ódio, à discriminação, às injustiças contra os que são diferentes de nós. A ansiedade pela bebida e pelas drogas, a ganância que arrasta para acumular bens materiais só para si e para sua família, a paixão sexual desenfreada e incontrolada.
Esses "demônios" querem dominar o homem e querem ser deixados em paz. É provável que este homem tenha participado muitas vezes da liturgia na sinagoga. Mas não se verificou nele nenhuma transformação.
Um dia Jesus entra em cena e de repente tudo muda. A sua palavra é poderosa e quem a escuta já não continua sendo o mesmo. O milagre acontece porque ele fala "com autoridade". O homem não fica em silêncio: ele reage. Acontece também em nossos dias.
Quando a palavra de Deus anunciada perturba, provoca, há sempre alguém que se levanta e protesta. O "espírito mau" não aceita passivamente a ordem de Jesus. Essa luta representa a rebelião das forças malignas que se encontram dentro de nós e não querem ser expulsas.
Mas o poder de Cristo é superior a tudo isso e o resultado é a libertação que ele tem para nos oferecer. Sua ação é eficaz.
Mais cedo ou mais tarde todos se "dobram" diante de Deus. Essa história é antiga e real e atual. Todos, sem distinção, têm um momento de "encontro" com Deus.
CATEQUESE 2009
No ano dedicado aos estudos sobre o valor da catequese que é oferecer o conteúdo do evangelho, palavra que liberta e salva, nossa Catedral está preparada para receber as matrículas do catecismo de 1ª Comunhão, Pré-Crisma e Crisma. Com 8 anos de idade a criança inicia o catecismo de 1ª Comunhão. Após a 1ª Comunhão é oferecida a catequese de Pré-Crisma e aos jovens com 14 anos, a catequese de Crisma. As matrículas serão realizadas de 9 a 19 de fevereiro, na sala anexa ao Escritório Paroquial.
É necessário apresentar xerox do registro de nascimento.
José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br
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