João Gaspar Laváter foi um filósofo, poeta e teólogo suíço, nascido na cidade de Zurique, no século XVIII. Foi muito amigo do Imperador Paulo I da Rússia e especialmente da esposa dele, a Imperatriz Maria. Em 1796 ele escreveu à Imperatriz seis cartas abordando o tema da comunicabilidade dos espíritos e reencarnação. Esta correspondência foi encontrada na biblioteca do Castelo de São Petersburgo e posteriormente levada ao conhecimento público.
Ao ler o livro O Porquê da Vida, de autoria do filósofo espírita Léon Denis, editado pela FEB (Federação Espírita Brasileira), um amigo tomou conhecimento da correspondência e perguntou-me: “Como pode Laváter falar de comunicabilidade dos espíritos e reencarnação em 1796 se o Espiritismo só surgiu em 1857, com Allan Kardec publicando O Livro dos Espíritos?”
Em resposta ao meu amigo devo dizer que o Espiritismo não inventou a comunicabilidade dos espíritos e a reencarnação. Estas teorias sempre existiram no conhecimento humano. Os egipícios, os gregos, os chineses, os indianos sempre ensinaram estes conceitos. Quando o Espiritismo surgiu como Doutrina Coodificada, a comunicação dos espíritos e a Lei da Reencarnação já eram do conhecimento da humanidade. Então se pergunta: “O que fez o Espiritismo?”
A Doutrina Espírita, pelos estudos de Allan Kardec, ampliou o conhecimento, acrescentando informações que foram obtidas pelas pesquisas de Kardec nos fenômenos mediúnicos presenciados e cientificamente provocados por ele. E os espíritos disseram que a comunicabilidade e a reencarnação são Leis Divinas. Como somos espíritos eternos, por uma faculdade especial de muitas pessoas, quando desencarnados - isto é, fora da matéria - podemos entrar em contato com aqueles que permanecem encarnados - isto é, dentro da matéria.
Por outro lado, sendo impossível conseguir a perfeição relativa do espírito em uma só existência, a Sabedoria Divina nos oferece várias oportunidades para a nossa evolução, que é gradual e incessante. Mas o Espiritismo fez mais. Revelou as leis que regem os fenômenos mediúnicos. Mostrou a importância da moral no trato com os espíritos. Disse dos perigos da prática mediúnica desorientada, interesseira, desonesta. Mostrou as diversas categorias de espíritos, informando quanto àqueles que se podem classificar como brincalhões, zombeteiros, pseudo-sábios.
Com relação à reencarnação, mostrou a Lei de Causa e Efeito que, acoplada à palingenesia (outro nome da reencarnação), mostra porque reencarnamos. Diz que cada um colhe o que semeou. Que a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória em conformidade com o que ensinou Jesus, quando disse: “A cada um, segundo as suas obras”, “quem com ferro fere, com ferro será ferido”.
A certeza da reencarnação mostra-nos a responsabilidade do nosso livre-arbítrio, tornando-nos responsáveis pelos nossos atos. Assim, não somos castigados ou premiados. Somos defrontados pela colheita dos atos que praticamos. Com este ensino, deixamos de lado a crença na sorte e no azar e passamos a compreender que tudo está regido pela Lei sábia de Deus que nos torna responsáveis pela construção de nossa felicidade. Por acaso, isto diminui a grandeza de Deus? Absolutamente. Mostra-Lhe a imensa Justiça.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais e membro da diretoria do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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