Estimativas da Vigilância Ambiental indicam que há cerca de 86 mil cães em Franca. Milhares deles, abandonados e soltos pelas ruas cidade. Preocupada com o crescimento populacional desenfreado e, sobretudo, com os acidentes e ataques causados, a Secretaria Municipal de Saúde está elaborando um projeto para tentar controlar a natalidade canina. A intenção é castrar uma média de mil animais por mês.
O número de cachorros “sem-dono” na cidade é incerto. Quando estava em plena atividade, o serviço de capturas recolhia cerca de 250 todos os meses. Por causa de uma lei estadual que impede o sacrifício, a captura foi suspensa em Franca, o que aumentou o número de cães nas ruas. Em consequência, aumentaram também os casos de atropelamento - cerca de dez por mês - e de ataques. No ano passado, foram registrados 1.030 casos de mordeduras de animais.
De acordo com o secretário de Saúde, Alexandre Ferreira, o Programa Nacional de Controle da Raiva, prevê a diminuição da população de cães para conter a doença. Como a eutanásia só pode ser feita desde que os animais representam perigo à saúde pública, a castração restou como única alternativa. “Estamos iniciando as discussões para poder desenvolver este sistema. O procedimento não é tão simples e depende de uma série de entendimentos para poder ser executado”.
Para que o controle possa dar resultado, a Prefeitura terá que castrar ao menos mil cães todos os meses. O custo estimado é de R$ 40 mil. Como os gastos não estavam previstos, será necessária uma autorização orçamentária por parte da Câmara. Depois, será preciso arrumar o dinheiro. Não é só. “Nós precisaremos firmar convênios com clínicas e ONGs para efetuar a castração, pois não temos esta condição. O que fazer com os animais depois é o outra dúvida”, comenta Alexandre Ferreira.
O ideia da Secretaria de Saúde não encontrou resistência por parte de entidades de defesa. Maria Aparecida Bernardes, presidente da Uipa (União Internacional Protetora dos Animais), disse que sempre foi contra a castração, mas que não vai se opor. “Se não castrar, vai ficar pior do que está, mas tem que ser um serviço bem planejado. Não pode explorar os animais só para fazer bonito. Na minha opinião, tem que castrar as fêmeas, pois são as que mais sofrem. Também é preciso saber o que fazer com eles depois. Tenho medo que sejam sacrificados”.
Maria Aparecida sugere que, paralelamente à castração, seja feita um campanha conscientizando a população a não soltar animais nas ruas. Vera Martins dos Santos Neves, presidente do Conselho Municipal de Proteção dos Animais, tem opinião semelhante. “Se a pessoa não tem condições de criar, que então não adquira um animal para depois abandonar. A castração é uma alternativa para evitar futuras crias e vou ajudar no que for possível. Depois do procedimento, acho que o melhor seria encaminhar os animais para adoção”.
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