É difícil imaginar que uma jovem procure o hospital com febre e dores nas costas por infecção urinária, sofra complicações e perca a vida. Mas um caso assim chocou o Brasil e o mundo há exatamente uma semana. A modelo Mariana Bridi, de apenas 20 anos, ficou internada 21 dias, foi vítima de infecção generalizada (sepse) e morreu num hospital do Espírito Santo. O urologista Domingos Cassis Neto, de Franca, disse que o caso é raríssimo e em 17 anos de profissão nunca presenciou algo parecido. Mas ele alerta sobre os riscos das infecções urinárias. “Foi um fato dramático. Ela era jovem demais. Não sei se tinha outro fator que justificasse a baixa resistência”.
As infecções urinárias são comuns. Segundo o médico, dificilmente uma mulher ficará sem ter a doença ao longo da vida. O corpo é cheio de bactérias e se a pessoa sofre algum desequilíbrio, como queda da imunidade, pode ser “atacada” por esses micro-organismos e ter infecções no corpo, como as cistites e pielonefrites (nos rins). A modelo Mariana Bridi foi vítima da bactéria Estafilococos, normalmente presente na pele e na boca, e da Pseudomonas, comum no intestino e nos animais. Em 2007, a francana Kátia Félix, 28, viveu drama parecido com o de Mariana. Mas sobreviveu. Ela ficou em tratamento durante sete meses, fez três cirurgias, teve infecção generalizada e até hoje sofre com as sequelas do problema (leia mais no apoio).
A doença pode ser desencadeada por predisposição genética, baixa ingestão de água e em pessoas que urinam pouco. “Quando segura a urina, a bexiga distende e se tem uma bactéria ali, ela pode se desenvolver. Manter a bexiga sempre vazia é importantíssimo”.
Nas mulheres, o risco é maior. De cada três ocorrências, duas são em pacientes do sexo feminino. “Para os homens, fazer xixi é mais fácil. As mulheres seguram mais, pois nem sempre encontram sanitários em boas condições de uso”.
Os homens também são vítimas dos problemas urinários. A ocorrência é mais comum após os 50 anos. Com a idade, a próstata cresce e a pessoa tem dificuldade para urinar. “Acaba ficando um resto de urina no organismo e o paciente pode sofrer complicações”, explicou o especialista.
FIQUE ATENTO
É possível prevenir os problemas no trato urinário adotando maneiras simples no dia-a-dia. A principal delas é ingerir de dois a três litros de água por dia. “Quando a pessoa faz um corte no braço, a melhor forma de curar é com água, limpando bem. Se você pode ter uma infecção urinária, a melhor prevenção é ‘lavar’ a bexiga, onde a infecção começa”, disse o médico.
Urinar a cada duas horas e meia e após o ato sexual também devem se tornar hábitos. Durante a relação, o atrito dos órgãos genitais pode lesionar a mucosa e facilitar a entrada de bactérias no organismo. Os homens costumam urinar após a ejaculação. As mulheres devem fazer o mesmo. Como nelas a uretra é mais curta (mede 3 centímetros), o “acesso” dos micro-organismos é mais fácil.
Outro cuidado importante para evitar ferimentos nas partes íntimas é usar papel higiênico macio e sem perfume, pois podem causar alergias e irritar a região. O especialista orienta a não ingerir alimentos com PH ácido (abacaxi, pimenta, refrigerante e outros) porque aumentam a acidez da urina, que acaba lesionando a bexiga e propiciando infecções ao facilitar a passagem de bactérias.
Os sintomas mais comuns das infecções de urina são dor lombar, febre, ardência ao urinar, xixi escuro e com cheiro forte. O tratamento costuma ser feito com antibióticos e em casa. De cada cem casos tratados por Domingos Cassis Neto, apenas dez necessitam da permanência no hospital. O grande erro é a automedicação. “Tem que tomar cuidado com a indicação de remédios por outras pessoas ou comprados na farmácia por conta própria. As infecções urinárias são simples, mas se forem mal curadas podem complicar. O ideal é procurar um médico quando sentir os sintomas”, disse o médico.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.