A feira de artes e artesanato de Embu das Artes é um deleite visual que atrai o visitante despertando os sentidos que podem ser de uma caminhada em meio às barracas ao da descoberta de uma peça barroca caríssima, num dos caríssimos antiquários. Voltar para a casa com uma peça de decoração barata, mas não encontrada em nenhum outro lugar, ou com um etajer em imbuia maciça da década de 20 parece ser apenas a atividade-fim de um roteiro que começou exatamente igual: um simples passeio.
Junto às características da própria cidade, sua arquitetura, mistura de gente de todo o Brasil e vários países, o ar vintage de algumas galerias ao lado de outras, mais ousadas e inusitadas, a feira está enraizada na história da cidade. Com modificações sensíveis em sua estrutura, já abrigou de tudo, até barraca vendendo calça de capoeira.
A prefeitura local estima que sejam 700 barracas, sem contar as lojas com endereço fixo, e que funcionam normalmente nos dias de semana e feriados.
A lista do que pode ser encontrada em cada porta ou em cada parada não caberia nesta página, mas o leitor pode ter uma idéia ao imaginar que são milhares de opções em presentes, móveis, objetos de decoração, quinquilharias colecionáveis, quadros, esculturas etc.
Para quem pretende gastar uns poucos trocados ou uma boa quantia, é bom saber que as barracas dispostas no Largo dos Jesuítas, onde a feira é realizada, só trabalham com dinheiro. Com sorte é possível encontrar algum expositor que aceite cartões de crédito, mas não aposte nisso.
No quesito restaurantes, com exceção de alguns poucos caros e bons endereços, a maior parte dos restaurantes e bares oferece refeição por quilo com preços variáveis, onde fugir da “verdadeira” comida mineira parece difícil. Há uma queda generalizada por leitão à pururuca, feijão tropeiro e torresmo.
CULINÁRIA
A ruazinha estreita, com não mais de três metros de largura chama a atenção de quem passa por ela, mesmo que seja para a ligação entre duas extremidades de um quarteirão, no Centro de Embu das Artes. A Viela das Lavadeiras é desses endereços que existem desde sempre, mas ninguém ousa explicar a razão do nome.
Nesta rua, com postes centenários, o visitante até perde a pressa. Nada de mais a ver nem coisas tão surpreendentes. Na viela, o que faz o turista andar devagar está na cor das construções, nas suas jardineiras despencando samambaias, nas estatuetas dispostas na frente dos pequenos prédios.
Nesse lugar a reportagem encontrou o chefe de cozinha Guilherme Manoel, 44, uma figura simpática e falante, sobretudo quando o assunto é cozinha e, naturalmente, a cidade da qual não se separa. “São Paulo não significa mais nada para mim. Se me perguntar, diria que odeio aquele lugar. Estou ao lado da maior cidade do País, mas vou até lá só quando me vejo obrigado. Não deixo Embu por nada. Aqui eu me realizo pessoal e profissionalmente”, disse ele.
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Manoel chegou a Embu em 1985, tomando contato com o antiquário que herdou do avô e que funciona até hoje. Exatamente em frente, a menos de dez passos, abriu seu pequeno e charmoso bistrô. Com cardápio sofisticado, à medida que aproveitou sua experiência profissional após passagens por alguns das principais casas gastronômicas da capital, o chefe misturou as estações e o cliente pode comprar a mesa em que almoçou um prato francês ou italiano, assim como o lustre que ilumina o lugar, o aparador, o armário e por aí vai. “Não quero crescer; quero manter a intimidade com as pessoas, poder atendê-las, mostrar os pratos, os móveis, a história que cerca cada peça. Sou feliz aqui.”
Se você perdeu a primeira parte da matéria sobre Embu das Artes, acesse já o site www.comerciodafranca.com.br e clique no link Turismo & Lazer.
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