O chacrobol sintetiza bem a verdadeira paixão do brasileiro pelo futebol. A falta de arquibancadas e do glamour dos campeonatos profissionais não espanta a torcida. O esporte disputado num campo cuja área é a metade do utilizado na várzea é o principal, e talvez o único, entretenimento da maioria dos que vivem fora do eixo central da cidade.
"O bairro não tem nenhum divertimento. É o nosso único lazer. A gente trabalha a semana inteira e só tem o futebol para assistir no fim de semana", disse Francisco Assis de Paula, mestre-de-obras e treinador de uma escolinha de futebol infantil.
Nesse contexto a informalidade é um elemento essencial. O chacrobol pode ser considerada a modalidade com a maior concentração de gandulas já vista: são os torcedores que buscam as bolas nas ruas próximas aos campos, quase sempre abertos. Sem contar que entre jogadores e torcida há uma estreita interação, pois todo mundo se conhece.
E quem atualiza o resultado no placar? "Às vezes é o mesário ou o jogador que está no banco de reservas", explica Mateus Pauli, 25, treinador da Vibor (time que disputa o campeonato do Campo Belo) e que foi conferir a final do clássico "FlaFlu" do Jardim Vera Cruz.
Com tanta proximidade, não há como esconder a paixão, principalmente na hora de levantar a taça. Na última final de chacrobol na cidade, o Barcelona venceu por 2 a 0 o Real Madrid, com dois gols do craque Raimundo.
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