Segundo informação mais recente fornecida pela Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) do Ministério do Trabalho e Emprego, 1% dos empregos formais – o correspondente a 348 mil postos –, é ocupado por portadores de algum tipo de deficiência.
Pensava inicialmente em focalizar os deficientes físicos, mas acabei ampliando a perspectiva para englobar outros gêneros uma vez que a deficiência é mais comum do que se imagina, embora não se sofram os efeitos com a mesma intensidade de um caso para outro. Refiro-me a dificuldades que aparecem no relacionamento, na acessibilidade em estabelecimentos e meios de transporte, na obtenção de empregos, na necessidade de contar com o apoio da família e de outrem para sobreviver.
Baseio-me, aqui, em depoimentos de pessoas que têm algum tipo de deficiência. Acredito que esta é a melhor maneira de aproximar de suas necessidades e sentimentos do que ruminar teorias que falam sobre o problema dentro de um idealismo romântico.
Concluo, antes de introduzir o tema, pois entendo que sofremos até vermos que podem existir situações piores. Assaltou-me, antes mesmo de reunir as idéias, um sentimento de vulnerabilidade que me fez questionar por que nos queixamos de ligeiros contratempos enquanto há gente sorrindo sem poder enxergar ou caminhar. Assim me recordo de um grupo de visitas a pessoas enfermas e deficientes, de que tive o privilégio de participar algumas vezes e onde havia, entre outras, uma senhora em coma e um homem com transplante de bacia limitado a ficar deitado quase o tempo todo.
Não tento sugerir solução para todas as deficiências, que diferem em gênero e intensidade, senão maneiras de incluir estes portadores de necessidades especiais num convívio harmonioso, sadio e sem o afastamento das relações. Estas práticas envolvem o estímulo a grupos institucionais que lhes dêem atenção, a construção de meios de locomoção adequada (como rampas para cadeirantes) e políticas de incentivo à admissão escolar e contratação profissional de deficientes.
Permitir-nos, não importa o esforço que demande, compreender as diferentes necessidades desse segmento da população é um passo na direção da extinção dos preconceitos, inclusive o de que a deficiência incita mais o sentimento de pena que de solidariedade nos demais. Se o preconceito se reduzisse a uma curiosidade sobre o incomum e a situação do deficiente, já seria um princípio. Porém, o rechaço e a exclusão é o seu lado obscuro.
Muito pode ser feito pelo governo, organismos não-governamentais, empresas e outros atores sociais para ressocializar pessoas que, por alguma deficiência, tiveram a inserção prejudicada e sofrem algum tipo de preconceito. Formam-se grupos de apoio, como os de restrições auditivas, visuais, motoras e mentais. Assim se concentram estudos e práticas voltados a eles. Finalmente, admoesto que a deficiência física ou mental de alguém não se converta em deficiência de caráter de outrem.
Bruno Peron Loureiro
Analista de desenvolvimento e relações internacionais
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