O preço do couro, um dos principais componentes utilizados na fabricação de calçados, entrou em queda livre no final de 2008. Em janeiro, a redução persistiu. Nos frigoríficos, ponto inicial da cadeia produtiva, os preços caíram pela metade e, nos curtumes, a redução chegou a 40%. Um exemplo na baixa dos preços é o couro do tipo nobuck. O metro quadrado do produto custava, em média, R$ 36 em novembro. Atualmente, pode ser comprado à vista por R$ 22. Uma redução de 39%.
Vários fatores podem ser apontados como causadores da queda no preço do produto. Entre eles, a redução da demanda por couro nos mercados nacional e internacional. Na China várias indústrias calçadistas que utilizam a matéria-prima brasileira reduziram drasticamente a produção. Nos Estados Unidos a crise internacional “derrubou” a produção da indústria automotiva, onde o couro é utilizado na confecção do estofamento dos veículos. No Brasil, e especificamente em Franca, a tradicional paralisação das fábricas de calçados que ocorre nos meses de dezembro e janeiro também colaborou com a queda nos preços, por conta da baixa procura.
César Barros, presidente da Amcoa (Associação de Manufaturados de Couros e Afins), confirmou a queda nas exportações como “vilã” na baixa do preço do couro. “O Brasil exporta 80% do couro que produz e a crise atingiu em cheio os Estados Unidos, onde o couro brasileiro é amplamente utilizado. Agora os reflexos são sentidos aqui”.
A queda nas exportações de couro foi confirmada com a publicação do relatório anual da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), órgão vinculado ao Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Em 2008 as vendas de couro francano ao exterior somaram US$ 58.088.654, ou seja, 8,95% a menos que os US$ 63.799.583 vendidos em 2007.
A reportagem entrou em contato com diretores de cinco dos 14 curtumes instalados na cidade. Apesar de não revelarem o faturamento, os empresários confirmaram que ocorreu uma redução na produção de peles no final do ano, mas que isso já acontece habitualmente neste período. Até o momento não houve redução no quadro de funcionários dos curtumes consultados.
REFLEXOS
Apesar da redução dos preços do couro, o consumidor dificilmente poderá comprar calçados mais baratos por conta da baixa na cotação da matéria-prima. “Neste período em que os preços estão baixos, as fábricas já estão com o planejamento pronto para o final do ano, inclusive com a matéria-prima comprada no preço antigo. Além disso outros componentes devem ter alta no preço”, disse Valter de Paula Cintra, diretor da empresa Rafarillo.
Anselmo Volpe, diretor do curtume Francouro, onde são produzidas vaquetas de latego, mestiço, abufalado, raspa e nobuck, afirmou que a queda nos valores do couro só não será integralmente repassada às fábricas de calçados porque o preço dos produtos químicos utilizados no curtimento das peles, que são cotados em dólar, se manteve. “Em alguns casos os preços dos insumos até subiram. Acredito que em breve o mercado deve reagir e elevar um pouco o valor do couro”, disse o empresário.
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