A auxiliar de limpeza Bárbara Porfírio, 60, está presa a uma cama. Depende de ajuda para ir ao banheiro, alimentar-se - somente com líquidos - e tomar os medicamentos de que necessita. Sua família teve a rotina totalmente alterada. Até a manhã de segunda-feira, quando foi atacada por um pitbull, sua realidade era outra: independente, cuidava da casa, do marido, Ênio Antônio José, 64, e prestava serviço na Escola “Capitão Lacerda”, no Jardim América.
Perto das oito horas daquele dia, Bárbara ia para o trabalho quando viu um pitbull atacando uma jovem. Tentou ajudar e bateu no cachorro com seu guarda-chuva. Acabou virando alvo do animal, que a derrubou no chão, quebrou seu braço e lhe aplicou várias mordidas, principalmente nos braços e no rosto, que ficou parcialmente desfigurado. Bárbara foi submetida a uma cirurgia plástica e a dimensão das seqüelas ainda é desconhecida. “É outra pessoa. Quem conhece minha mãe e vê ela hoje fala isso”, disse a dona de casa Roseli José Pereira, 35.
Desde então, Bárbara convive com vários problemas: não consegue ingerir alimentos sólidos, pois sua boca está repleta de pontos e inchada, o que impossibilita a mastigação. A comida tem que ser batida no liquidificador. Água e remédios são dados a ela com a ajuda de uma seringa. A dificuldade para se expressar é grande. Precisa de ajuda das filhas para tudo, inclusive para ir ao banheiro. “Ela não sai da cama”, afirmou a dona de casa Raquel dos Santos Veronêz, 30.
Além dos danos físicos, a família afirma que Bárbara está traumatizada. Consciente da gravidade dos ferimentos, não teve coragem de olhar para o próprio rosto e pediu aos filhos que retirassem da casa todos os espelhos. Em alguns momentos, tem a lucidez comprometida. “Ela está confusa. A gente pergunta se ela está com dor e ela diz que não, depois, logo em seguida, fala que sim. Ela está em choque”, disse Raquel. “Ela se lembra do que aconteceu, mas não quer falar sobre o assunto. Está muito fechada”, completou.
O tratamento médico de Bárbara será longo e aliado a um acompanhamento psicológico. Os familiares da vítima - principalmente filhos e genros - estão revoltados com o fato de o cachorro não estar amarrado no momento do ataque - e já representaram na Polícia Civil contra o dono do animal, o cabeleireiro Marcelo Diniz Tiago, 36.
EXTRAS
Confira áudio e imagem exclusivos no Blog do Vaz - http://gcnvaz.wordpress.com
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.