O comerciante aposentado Valdemar do Couto, 75, mora na Vila Nova há 65 anos. Quando se mudou para a Rua da Liberdade, no número 1143, as ruas ainda eram de terra. Ao longo dos anos, Valdemar testemunhou a pavimentação, os serviços da Operação Tapa-buraco e o tão sonhado recapeamento. Mas a nova camada de asfalto só chegou até a esquina anterior à de sua casa e nas ruas laterais.
Quando sai na calçada e olha para o lado direito, encontra o asfalto preto e nova pintura no chão. Se vira para a esquerda, o cenário é bem diferente. O asfalto já perdeu a cor e está todo com remendos. Só em frente à casa dele são quatro. “Achei bom ter o recapeamento mas parou. Esperava que continuasse na rua. O asfalto está todo cheio de buracos. É a mesma rua. Por que nos outros lugares recapearam direitinho?”, disse.
Em 2009, o plano de recapeamento deverá receber cerca de R$ 9 milhões de investimentos. Nem todos os bairros serão contemplados. Ruas com maior movimento, como corredores de ônibus coletivos, e com o asfalto em piores condições têm prioridade. Valdemar e outros moradores na Rua da Liberdade terão de se contentar com o trecho que já recebeu o serviço. “Não temos como recapear a cidade toda. As ruas de pouco movimento ou com trechos mais conservados não entram no plano”, disse Valéria Marson, secretária de Urbanismo.
Como Valdemar, moradores em outros bairros convivem com ruas já recapeadas próximas às suas e questionam se serão contemplados pelo projeto. Na Rua Tuffy Jorge, na Vila Formosa, a Diretoria do Centro Comunitário, que está sendo reativado, iniciou a coleta de assinaturas para entregar um abaixo-assinado à Prefeitura reivindicando melhorias na via. A expectativa é conseguir 400 adesões e entregar o documento em 30 dias.
Os vizinhos têm urgência. José Carlos Gonçalves, 49, tem um despachante na rua e disse que testemunha os riscos no local. “Essa rua é uma artéria que desova o trânsito da Estação para a Hélio Palermo. Como a rua está desnivelada, as casas até tremem e sofrem rachaduras quando descem ônibus e caminhões”, disse. A esperança deles era ter a via renovada após as obras no Córrego dos Bagres. “A gente tolerou a poeira e esperava receber de presente o recapeamento”.
Em outro endereço, a reclamação se repete. Mas o problema não é o desnível mas os buracos. A dona de casa Rosária Macedo, 65, mora na Avenida Major Elias Motta, no Jardim Paulistano, há seis anos e sonha com novo asfalto. “Essa rua está sempre com essa ‘buracada’. Eles tampam, mas, como tem muito trânsito, não dura nada”.
Para os moradores na Rua Tuffy Jorge e na Avenida Major Elias Motta, a notícia é melhor. Segundo Valéria Marson, as duas vias serão recapeadas ainda este ano. “Só não temos uma data prevista porque, neste tipo de serviço, contamos com imprevistos, como as chuvas”.
Enquanto não são recapeadas, receberão a Operação Tapa-buraco. O mesmo acontece com as vias que não estão na lista para receberem nova camada asfáltica.
Até o ano passado, R$ 11,5 milhões haviam sido investidos no recapeamento. Do total, R$ 6 milhões foram pagos pelo município. O restante foi repassado pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), em massa asfáltica. O plano deverá ser concluído até o fim de 2010.
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