A onda dos 30


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O tempo sempre foi fator importante para determinar a cronologia dos acontecimentos na vida de pobres mortais. Nem sempre é interessante aprofundar no assunto que trata das medidas de duração das coisas quando percebemos que o tempo só avança, não retroagindo nunca e nos empurrando sempre para um fim. Explorando o relevante tema sobre o “tempo”, já que a “onda” que corre por aí são os “30 minutos” que podem transformar o bom cidadão num respeitável aposentado; imaginemos o que é possível acontecer nesses últimos minutos que antecedem a concessão do tão sonhado direito. O espaço de tempo parece ser curto, mas ao segurado pode se tornar quase eterno. Seus sentimentos e emoções quase lhe saltam pela boca diante do momento ímpar de sua vida em que conquistará vencimentos periódicos que garantirão sua sobrevivência pelo resto de seus dias. Querendo ou não, é quase impossível evitar pensamentos negativos que tomam conta da mente humana que está na iminência de vivenciar tão importante ocasião, principalmente em se tratando dos dados do contribuinte que em minúcias serão verificados! Se detectada qualquer falta de informação no banco de dados do Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), o tempo poderá se tornar muito longo, doloroso, transformando-se num martírio. Ainda assim, durante esses 30 minutos pode-se fazer algumas reflexões para diminuir a tensão que é naturalmente gerada. A principal delas seria a de se preparar para possível solicitação de documentos comprobatórios e complementares que possam ser exigidos no momento do requerimento da aposentadoria. É mais fácil preparar o espírito para a realidade. Sofre-se menos considerando ser essa a atitude mais legítima e sincera que o ser humano pode tomar por si mesmo. Pois acreditar piamente em medidas administrativas “facilitadoras” chega a beirar ingenuidade, ainda mais quando é sabido que algumas informações dos segurados não constam nesse “super” sistema informatizado. Ver o nosso líder aparecer na televisão entregando a concessão de aposentadoria "de 30 minutos" a um brasileiro grisalho e cansado certamente não representa a realidade da esmagadora maioria na mesma condição, e que não sentirá os efeitos dessa lei da “meia hora”. Parece-nos que o conceito filosófico do “devir” (onde o rio continua o mesmo, mas as águas não) anda sendo aplicado por aí: sustentando que apesar de haver possibilidade de “mudança” sobre algo ou coisas, continuariam na essência, as mesmas. Ou seja, nesse caso, dá-se movimento sobre determinado aspecto gerando a sensação de mudança, evolução e melhoramento, porém a triste realidade continuará a mesma não gerando impacto sobre a grande massa de candidatos à aposentadoria que sonham com o merecido direito. A “onda dos 30” logo cairá no esquecimento, mas o efeito esperado era o de gerar contentamento momentâneo no povo. Assim como foram as promessas de “zerar a fome”; assim como será o tal “crescimento acelerado”. A estratégia política é tão somente criar a possibilidade de mudança. E mesmo que ela não venha, o importante é que se ganhou tempo. E, mais uma vez, iludindo a platéia. Ricardo Gallo Veríssimo Funcionário público, ex-conselheiro da Saúde e deste jornal

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