Chuva não pára e muda rotina dos francanos


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TEMPO FECHADO - Nuvens negras sobre o Jardim Noêmia, na tarde de ontem, evidenciavam que chuva não daria trégua aos francanos
TEMPO FECHADO - Nuvens negras sobre o Jardim Noêmia, na tarde de ontem, evidenciavam que chuva não daria trégua aos francanos
Os varais na casa da sapateira Sílvia de França, 32, estão lotados. Ela não vence tirar e colocar as roupas nos arames. Até a grade atrás da geladeira tem sido usada para secá-las. Seus dois filhos, de 12 e 6 anos, estão passando os últimos dias de férias “de molho”, sem colocar os pés nas ruas. A família mora no Residencial Ana Dorothéa e já está cansada de tanta água e lama no bairro. Chove em Franca há 16 dias seguidos. Além de ter problemas para secar as roupas e sair de casa, Sílvia está enfrentando outros prejuízos com o período chuvoso. Há algumas semanas, um raio queimou a televisão e o videogame. O conserto da tevê ficou em R$ 220. O brinquedo ficará estragado por mais algum tempo. O imóvel deveria estar sendo rebocado para evitar infiltração. Mas os sacos de cimento permanecem amontoados num canto da garagem. O marido dela é pedreiro e, com o tempo instável, está sem trabalhar. Ela perdeu o emprego em dezembro. A renda mensal deles era de R$ 1.200. “Nem sei quanto vamos conseguir. Só de ficar sem meu salário já são R$ 750 a menos. E com a chuva, os gastos só vão surgindo. O jeito é manter o controle para não entrar em pânico”, disse Sílvia. No Jardim Cambuí, que ainda não tem asfalto, roupas e sapatos não param limpos. A cabeleireira Eliane Rizi, 34, intensificou a limpeza nos dias chuvosos. “Normalmente, lavo a garagem e faxino a casa três vezes por semana, mas agora tenho limpado todo dia. Preciso usar água porque se passar pano no piso deixa mais encardido”. O resultado já foi sentido na conta referente a janeiro. “Gastava R$ 32 de água. A conta subiu para R$ 80.” Outras mudanças de hábito oneram o orçamento de Eliane. Seu marido, Reinaldo Cintra, 36, trabalha visitando fábricas todos os dias. Com a chuva, troca a moto pelo carro. “Com a moto, gasto no máximo R$ 4 por dia. No carro coloquei R$ 20 ontem e o mesmo valor hoje de novo. Sem contar a lavagem do carro que fica todo com barro. São R$ 5 no mínimo por semana”, disse ele. Ao mesmo tempo que vê as despesas crescerem, Eliane sofre com a queda no orçamento. “Com o tempo ruim, as clientes que marcaram escova cancelam”. Para se ter idéia, às sextas-feiras, ela, que tem um salão, costumava atender dez mulheres; nesta semana está com apenas seis agendadas. “O meu faturamento bruto neste mês será cerca de R$ 800 menor que o esperado”. As irmãs Tânia Martins, 28, e Kelciane Martins, 31, são vizinhas e têm travado, juntas, uma verdadeira luta contra a chuva. Para secar as roupas, revezam os locais para estendê-las. “No dia que eu lavo, ela não lava porque uso o varal na minha casa e na dela. Estou com uma pilha de roupas sujas, mas não adianta enquanto a chuva não parar. Elas não secam direito e ficam cheirando mal”. Tânia lavou roupas pela última vez há dez dias. Kelciane ainda enfrenta outro problema com tanta água. “As paredes do quarto estão cheias de mofo. Minha rinite já atacou. Não paro de espirrar. Estou tomando remédio direto. Tomara que o sol apareça logo”.

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