O fim da obrigatoriedade da vacina contra a raiva bovina e eqüina contribuiu para o aumento do número de casos de mortes de animais com o vírus na região de Franca. O EDA (Escritório de Defesa Agropecuária) registrou 22 casos no ano passado nos municípios de Franca, Ribeirão Corrente e São José da Bela Vista. Número bem superior ao de 2007, quando foram contabilizados seis casos nos 13 municípios de cobertura do EDA. O vírus é transmitido pelo morcego hematófago (que se alimenta de sangue) ao morder bovinos e eqüinos.
Dos 22 casos, dois foram registrados em propriedades no município de Franca. Para facilitar o combate ao morcego, a Vigilância Epidemiológica mapeou lugares que servem de esconderijo para o bicho. “Encontramos 31 abrigos em 76 propriedades percorridas”, disse o chefe da Vigilância Sanitária Municipal, Fernando Baldochi, que designou uma equipe especialmente para monitorar os morcegos.
Equipes do EDA também fizeram um mapeamento em 13 municípios e foram encontrados 86 locais usados como abrigo pelos morcegos. “Nos surpreendemos com uma colônia com mais de 260 morcegos. O normal é ter, no máximo, oito”, disse o diretor do EDA, Antônio Victor de Oliveira.
Nem todos os morcegos têm o vírus da raiva, mas basta um contaminado para infectar toda a colônia. Os morcegos têm o hábito de lamber uns aos outros. Se um deles estiver com o vírus e machucado e for lambido, acabará transmitindo a doença.
Quando um boi ou cavalo apresenta os sintomas da raiva é feita a varredura na propriedade e a captura de morcegos, que são encaminhados para exames em São Paulo. Constatado o vírus, é feito o extermínio da colônia. Os bichos capturados recebem uma pasta no corpo. Ao lamber uns aos outros vão passando o veneno e, em cinco dias, todos estão mortos.
O vírus fica incubado por até 20 dias. Uma vez manifestada a doença, o animal infectado morre em uma semana (veja sintomas em quadro nesta página). Ao perceber os primeiros sintomas, o pecuarista precisa ficar atento. “O homem também pode ser infectado se estiver com a mão machucada e houver contato com a saliva do animal doente”, disse Antônio Oliveira.
A doença não tem cura. A prevenção é feita com a vacina. “Antes ela era aplicada durante a campanha da febre aftosa, mas, desde o ano passado, a vacina deixou de ser obrigatória”, disse Oliveira, sem informar se a dose voltará a ser exigida.
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