‘Se fechar a banca, não sei o que vai ser de mim’


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Dia 20 de dezembro de 2008. Esta foi a data em que Antônio Clemente Sobrinho, 59, recebeu o último pedido para pespontar 62 pares de sapatos. A média foi a metade do esperado por ele para o fim do ano. Desde aquela data, Antônio não recebe mais serviço. Está parado. A banca de pesponto montada na garagem de sua casa, no Parque Santa Hilda, é o ganha-pão da família. A mulher e o filho trabalham com ele. Antônio se tornou pespontador há 32 anos quando deixou de ser cobrador de ônibus para investir em calçados. “Na época, o ganho era promissor. Hoje não compensa mais. Está muito difícil”. Comércio - Quando o senhor montou a banca de pesponto quais eram suas expectativas? Antônio - Conquistar melhoras. Mas a gente está tendo dificuldade. Não consigo trabalhar. Comércio - É a primeira vez que o senhor parou os serviços da banca no fim do ano. O que houve? Antônio - As firmas estão parando. Dezembro e janeiro estão sendo assustadores. Estou muito preocupado. A gente fica apreensivo por causa das dificuldades financeiras do futuro. Até agora, a gente está conseguido controlar porque tem reservas mas depois não se sabe o que vai acontecer. Comércio - O senhor tem receio de fechar a banca? Antônio - Eu já pensei muito em parar com isso aqui. Não parei porque não tenho outra oportunidade. Se eu fechar a banca, não sei o que vai ser de mim. Essa é minha única renda. Comércio - Quanto o senhor ganha? Antônio - Já teve época da gente tirar até R$ 5 mil por mês. Hoje não chega a R$ 1,5 mil.

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