Para viver, motorista precisa de oito doadores de sangue


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GESTO DE SOLIDARIEDADE - João Altino de Faria segura a mão de sua irmã Sandra de Faria enquanto ela doa sangue no Hemocentro de Franca; motorista precisa de oito doadores
GESTO DE SOLIDARIEDADE - João Altino de Faria segura a mão de sua irmã Sandra de Faria enquanto ela doa sangue no Hemocentro de Franca; motorista precisa de oito doadores
O motorista João Altino Bueno de Faria, 51, vive uma semana de expectativa. Pela primeira vez na vida passará por uma cirurgia - terá de colocar ponte de safena no coração. Como é praxe em toda operação, o Hospital do Coração de Franca precisará estocar boa quantidade de sangue para realizar a intervenção com segurança. São necessários pelo menos oito doadores. O problema é que o tipo sanguíneo de João, A negativo, é raro. É encontrado em apenas 8% da população. Desde sexta-feira, o motorista e a família iniciaram uma campanha em busca desses voluntários. Trata-se de uma corrida contra o tempo: se não houver os doadores, o procedimento será adiado e a vida de João ficará sob alto risco. O tipo sanguíneo de João restringe as doações a quem também tem sangue “A negativo” ou “O negativo”. “Como a porcentagem destes tipos é menor, também é menor o estoque (...). O tipo O negativo ocorre em 9% da população”, disse a médica Teresinha Cervi, do hemocentro de Franca. Outro agravante é a validade do material. Após a coleta, o sangue é fracionado em plasma, hemácias e plaquetas. O plasma pode ficar até um ano armazenado; as hemácias 35 dias e as plaquetas apenas cinco dias, o que limita a estocagem. No caso de João, as plaquetas são fundamentais, pois auxiliam na coagulação e evitam hemorragias durante a cirurgia, que dura três horas. “Temos urgência em operar. Devemos fazer a cirurgia entre quinta e sexta-feira, por isso apenas o sangue doado a partir de sábado poderá ser usado. Se não tivermos o estoque suficiente, perderemos o que já foi coletado”, disse o cirurgião Edson Margarido, que acompanha o caso. Segundo o médico, durante a cirurgia o coração fica parado. A circulação - e a vida do paciente - são garantidas por uma máquina. Daí a necessidade de uma grande quantidade de sangue. ESPERANÇA João é motorista de van e está afastado do trabalho há um mês por causa dos problemas cardíacos, pois corre risco de passar mal enquanto dirige. “Queria pedir que me ajudassem porque é um sangue difícil. Quero fazer a cirurgia o mais rápido possível”, disse. O paciente já sofreu um infarto, o que agrava a situação. “Ele já teve uma artéria fechada. Pode ocorrer isso em outras. Pode, teoricamente, causar infarto e morte”, disse Edson Margarido. “O indicado é operar o quanto antes”, completou. João Altino mora em Ituverava. É casado e sua mulher tem sangue “A negativo”, mas é diabética e não pode doar. Uma irmã que poderia fornecer o sangue está com a pressão alta e também está impedida. Para ser doador é preciso ter entre 18 e 65 anos, pesar acima de 50 quilos (homens) e 52 quilos (mulheres). O Hemocentro funciona das 7 às 17 horas. O telefone é 3402-5000.

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