A extinção dos bolotas


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Um dos passatempos prediletos de muitos francanos pode estar com os dias contados. Sair com a família para comer um lanche no bolota da praça mais próxima, agora, está sob ameaça de extinção. Uma determinação do Ministério Público seguida à risca pela prefeitura ameaça reduzir drasticamente o número deste tipo de estabelecimento na cidade, reduzindo-o a menos da metade a partir de 1º de abril. De acordo com o historiador José Chiachiri Filho, as concorridas casas de lanche chegaram à cidade há aproximadamente 30 anos. A primeira, pelo que se recorda, se instalou na Avenida Ismael Alonso y Alonso. Não demorou para que caíssem no gosto popular e se espalhassem por toda a cidade. “O nome bolota se deve ao formato do pão, que se parece com uma bola. Eles são uma coisa genuinamente francana. Não sei se tem em outras cidades. Se tiver, é com outro nome”. Atualmente, cerca de 70 casas do tipo funcionam na cidade. A maioria - 46 - trabalha em traillers instalados em calçadas de movimentadas avenidas ou em terrenos de propriedade do município. São justamente elas que correm o risco de desaparecer. “Após o dia 1º de abril, elas terão que desocupar os espaços públicos já que existe uma lei que impede que continuem onde estão”, disse o chefe da Divisão de Fiscalização da Prefeitura, Ismael Xavier. Na tentativa de dar uma sobrevida às bolotas, o prefeito Sidnei Rocha (PSDB) encaminhou à Câmara de Vereadores um projeto de lei autorizando a prefeitura a licitar espaços públicos para comerciantes interessados em instalar seus trailers. A votação está prevista para hoje. São apenas 23 áreas localizadas no canteiro central existente entre as Avenidas Chico Júlio e Integração, desde o Distrito Industrial até o City Petrópolis. A princípio, outras regiões da cidade não poderão permanecer com as tradicionais casas em espaços públicos. As áreas com condições legais de serem licitadas vão comportar 27 bolotas no máximo. Com isso, para a maioria deles, a partir de abril, só restarão duas alternativas: mudar para terrenos particulares ou fechar as portas. “Nem todos têm condição de pagar o aluguel de uma área particular. Estou tentando vender a casa de minha mãe para montar a minha lanchonete legalizada. Seria mais fácil se oferecessem uma linha de crédito para nós”, comentou o comerciante Fransérgio Berigo, dono do “Bunitos”, localizado há dez anos na calçada da Rua Dionísio Facioli, diante da Fors. Ele alugou um terreno na Avenida Champagnat, para onde pretende se mudar. Terá que desembolsar, no mínimo, R$ 50 mil na construção. Mesmo as bolotas que sobreviverem nos espaços licitados vão perder sua característica atual. Não poderão vender bebidas alcoólicas. Mesas e cadeiras também estão proibidas. O cliente terá que comer o lanche em pé ou levar para casa. “Lei é para ser cumprida, mas o mais importante é a justiça. E este pessoal, onde é que vai trabalhar? Muitas casas de lanche não atrapalham ninguém. Oferecem um serviço público. Acredito que poderia haver um pouco mais de sensibilidade”, disse Chiachiri Filho.

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