No pátio da cadeia, um grupo de presos tenta amarrar uma "teresa" (corda feita de panos) no alambrado com o objetivo de tentar uma fuga. Os detentos nem mesmo chegam a amarrar a corda nas grades e escutam tiros disparados da guarita para o alto. Após os estalos, todos saem correndo, sendo que um deles volta para pegar a corda jogada no chão. A tentativa de fuga, ocorrida na semana passada, foi frustrada devido ao mais novo aparato utilizado pela polícia para tentar evitar problemas na Cadeia Pública do Jardim Guanabara: um sistema de monitoramento por câmeras.
Ao melhor estilo Big Brother Brasil, 16 câmeras registram todos os movimentos do pátio, corredores e algumas salas da cadeia superlotada. A Delegacia Seccional de Franca não informa quanto foi investido e nem quando a inovação tecnológica foi instalada, mas o delegado Eduardo Bonfim, responsável pela administração local, afirma que as câmeras eram uma solicitação antiga.
"Esse foi um pedido que a gente tinha feito várias vezes ao delegado seccional (Maury de Camargo Segui). Ele entendeu e também aprovou a colocação das câmeras. Elas auxiliam muito, porque a gente consegue acompanhar ao vivo o que acontece dentro da cadeia", disse Bonfim. Entre as imagens captadas, algumas registraram reuniões de presos em que os "líderes" passam as orientações aos demais detentos. "Isso não há como evitar. Dentro da cadeia existem aqueles que comandam", disse o delegado que, a partir de agora, poderá fazer uma análise mais detalhada desses possíveis líderes.
Além do espaço interno, as calçadas do prédio também são vigiadas 24 horas. Com isso, se dificulta ainda mais a possibilidade de algum objeto não autorizado entrar dentro da cadeia. "Há câmeras nas ruas em volta da cadeia para evitar que pessoas cheguem perto e alguma movimentação estranha seja notada, evitando aí até um possível resgate ou alguma coisa desse gênero", explicou.
A estratégia de colocar as câmeras é parte da resposta do poder público às frequentes formas encontradas pelos detentos para driblar as normas estabelecidas no local. Antes, a substituição da tela instalada no muro já havia diminuído a incidência de drogas que eram jogadas dentro da cadeia. "Assim como eles inventam métodos, nós também vamos buscando o auxílio da tecnologia para evitar fugas".
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COMPUTADOR
Outra inovação aplicada recentemente, segundo o delegado, foi a instalação de um computador que possibilita o registro visual de todos os presos que entram e saem da cadeia. "Ganhamos um computador onde todos os presos são fotografados devidamente, com todas as características físicas colocadas no computador. Isso vai evitar que no futuro haja uma troca de preso por outro, como já aconteceu", concluiu Bonfim.
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