Franca tem 250 templos. Nenhum é fiscalizado


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PRÉDIO ADAPTADO - Prédio do antigo Cine São Luiz, atual sede da Igreja Internacional da Graça de Deus, foi inaugurado em maio de 1942: pastor responsável pelo templo informou que imóvel passou por uma recente refo
PRÉDIO ADAPTADO - Prédio do antigo Cine São Luiz, atual sede da Igreja Internacional da Graça de Deus, foi inaugurado em maio de 1942: pastor responsável pelo templo informou que imóvel passou por uma recente refo
A tragédia envolvendo o prédio da Igreja Renascer - que deixou nove mortos e 110 feridos em São Paulo há uma semana - despertou a atenção para os riscos que fiéis correm ao freqüentar celebrações em locais inseguros. Em Franca, existem cerca de 250 templos religiosos entre igrejas católicas e evangélicas, centros espíritas e tendas de umbanda. Muitos funcionam em imóveis adaptados com até 60 anos de uso. As condições de segurança são uma incógnita. O Setor de Fiscalização do município promete fazer uma varredura para checar quais possuem o alvará, condição fundamental para que possam abrir as portas. Já os bombeiros orientam a população a denunciar eventuais irregularidades nas edificações. Desde 2000, é aberta uma média de 24 novos templos religiosos por ano em Franca. O ápice se deu, justamente, naquele ano, quando surgiram 62 igrejas dos mais diversos segmentos. O número pode ser ainda maior do que o oficial, pois há os que não foram registrados na Prefeitura e funcionam na clandestinidade. Antes de obter o alvará, a entidade precisa apresentar ao Corpo de Bombeiros um projeto elaborado por um responsável técnico, contemplando medidas de proteção contra incêndio e segurança estrutural. Uma vez aprovado, o mesmo é encaminhado para apreciação da Prefeitura. Depois de emitido, o alvará só precisa ser renovado em caso de alterações na estrutura do imóvel. As autoridades locais não têm em mãos informações sobre quais templos estão regulares e muito menos quais oferecem risco. Também não receberam qualquer denúncia apontando falhas. São comuns os casos em que barracões antigos de fábrica e velhas salas de cinema foram transformados em concorridos locais de pregação. A sede da Igreja Internacional da Graça de Deus, por exemplo, funciona no prédio do antigo Cine São Luiz, na Praça Dom Pedro II, no Centro. Inaugurado em maio de 1942, o prédio tem 1.070 lugares e costuma receber a metade de sua capacidade aos domingos. O pastor Lacir Pereira, líder regional da igreja, informou que o imóvel passou por uma recente reforma e que é seguro. A Igreja do Evangelho Quadrangular faz seus cultos no extinto Cine Santo Antônio na Estação. Recebe uma média de 900 pessoas aos domingos. Construído há 40 anos, o prédio deixará de ser usado no ano que vem. O maior templo existente na cidade é o da Igreja Universal do Reino de Deus, localizado na Rua Voluntários da Franca. Inaugurado em junho do ano passado, possui 7,5 mil metros quadrados e capacidade para 3,3 mil pessoas. Segundo a Prefeitura, o prédio obedece a todas as exigências. O chefe da Divisão de Fiscalização do município, Ismael Xavier, diante da tragédia ocorrida em São Paulo, determinou aos seus fiscais que façam uma vistoria em todos os prédios. “Vamos fazer uma varredura para verificar se os templos possuem o alvará. Quem não o tiver, será intimado a tomar as providências. Em caso de desobediência, poderão ser fechados”. Comandante do Corpo de Bombeiros e chefe da Defesa Civil de Franca, o capitão Alexandre Luiz dos Santos explica que não é possível sair fiscalizando todos os prédios da cidade, sejam religiosos ou não. O policial recomenda que a população fique mais atenta aos locais que freqüenta. “Às vezes, a pessoa pode estar correndo risco e não se preocupa. Pedimos que a população haja com consciência e denuncie as situações irregulares”.

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