Artistas e artesãos adotaram a cidade


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Diversidade - Turistas apreciam luminárias em uma das dezenas de lojas de Embu das Artes. Grande quantidade de produtos em exposição exige dos visitantes uma boa pesquisa antes da compra
Diversidade - Turistas apreciam luminárias em uma das dezenas de lojas de Embu das Artes. Grande quantidade de produtos em exposição exige dos visitantes uma boa pesquisa antes da compra
O movimento mais conhecido de Embu das Artes começou no final do ano 60, com a chegada dos artistas, artesãos e hippies que deixaram a Praça da República, em São Paulo, em direção à cidade vizinha. Naquela época, Embu não tinha mais do que 50 mil habitantes, muito longe dos atuais 240 mil, aumento explicado pela migração típica da década de 1970 para a Grande São Paulo. Mas bem antes disso, nomes que mais tarde se tornariam referência nas artes já haviam escolhido a cidade como ponto de difusão de suas idéias. Talvez o grande responsável tenha sido o escultor e pintor Cássio M’Boy, que, em 1937, vence a Exposição de Artes Técnicas de Paris. A casa do artista, desde a Semana de Arte Moderna de 1922, já era endereço obrigatório para Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Volpi, Menotti Del Picchia e Osvald de Andrade. Precursor e incentivador de vários outros artistas, foi Cássio quem ensinou as primeiras técnicas de escultura em terracota para o japonês Tadakio Sakai, reconhecido internacionalmente pela sua habilidade com o material e pela sua criação artística. Em 2004, a Prefeitura de Embu das Artes inaugurou o Memorial Sakai, cujo acervo é formado pela parte das obras que estão no Brasil. Embu passa a atrair gente atrás de sossego, verde e inspiração para suas criações. Artistas que, como Assis de Embu, dava vida à madeira em peças conceituais que ganharam museus, exposições públicas e particulares mundo afora. Apesar da projeção, muitos desses criadores, a exemplo de Assis, morreram pobres, depois de uma vida intensa. Ainda nos anos 60, a cidade vê chegar o pernambucano Solano Trindade, um negro vivaz, cujas palavras em tom libertário e desafiador o fizeram ser conhecido como o maior poeta da cultura negra brasileira. Hoje, um teatro com seu nome abriga peças e oficinas culturais em Embu. Em 1964, Embu realiza o seu primeiro Salão de Artes Plásticas. Com o salão, a arte em pintura e escultura produzida na cidade ganha expressão nacional e internacional. Pouco antes da década de 1970, a realidade em Embu já era conhecida de muita gente. A convite dos artistas locais, hippies passaram a freqüentar a cidade aos finais de semana, quando, em frente ao Museu de Arte Sacra, expunham seus trabalhos. Em 1969, a idéia da feira toma forma, e ela começa a ser realizada todos os domingos. Com a feira consolidada, inicia-se outro movimento: a busca de espaço para lojistas, sobretudo para aqueles ligados a antiquários. A concentração desse tipo de negócio em Embu a tornou sinônimo de mobiliário antigo. Hoje são mais de 50 lojas dessa natureza.

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