Entregar-se ao mundo das compras é uma tarefa mais que prazerosa em Embu das Artes. Porém, se apresse em saber: nada de produtos altamente sofisticados nem lojas de grifes com suas belas fachadas. Nesta cidade localizada a 25 quilômetros do Centro de São Paulo, o atrativo é outro, interiorano, simples, meio europeu, meio mineiro. Com sua feira de artes e artesanato internacionalmente conhecida, Embu das Artes atrai todos os domingos perto de 30 mil pessoas a percorrer suas vielas centenárias, ruas estreitas, dezenas de antiquários, cafés em meio a artistas dispostos a cada metro de caminhada.
Mesmo que os casarios antigos já não existam em quantidade suficiente para prender o turista e os prédios do centro histórico careçam eternamente de um cuidado por parte de seus proprietários, ainda assim andar pelas ruas de Embu das Artes faz muita gente pensar que poderia estar em Buenos Aires ou em alguma feirinha em Paris que não faria diferença alguma. Há quem jure parecer com Saint Germain-des-prés, o bairro boêmio parisiense.
Cortada ao meio pela Rodovia Régis Bittencourt (BR 116), que liga São Paulo a Curitiba (PR), Embu - nome oficial - nasceu de aldeamento indígena ainda na primeira metade do século 17. Em 1640, jesuítas da Companhia de Jesus, liderados pelo padre Manoel da Nóbrega, se instalaram no local, tratando de iniciar a construção de uma igreja, dedicada a Nossa Senhora do Rosário, obra que, anos mais tarde, daria lugar ao convento jesuíta, atual museu de arte sacra, um dos mais significativos patrimônios jesuíticos no Brasil e considerado o mais importante e bem conservado.
Em 2004, vereadores locais resolveram com uma canetada aprovar um projeto que igualava a idade de Embu das Artes a São Paulo. Historiadores bateram o pé, dizendo que não havia nenhuma base científica para afirmar que havia qualquer sinal de aglomerado humano na região em 1554. Os parlamentares, indiferentes, por decreto decidiram que a cidade nascera naquele ano. Portanto, oficialmente, completou 454 anos.
Política à parte, quem vai a Embu com o intuito de comprar apenas algumas quinquilharias para a casa, já na entrada da cidade vê que pode voltar com o cartão de crédito zerado. Na avenida que dá acesso ao Centro, a partir da Régis Bittencourt, dezenas de lojas apresentam todo tipo de móveis feitos em madeira, em sua maioria rústicos, quase sempre de bom gosto. Na Avenida Elias Yazbek, encontrar um jogo de jantar com cadeiras almofadadas numa loja, ao lado de outra, com rodas de carro-de-boi, feitas para enfeitar entradas de chácaras e sítios, não gera surpresa alguma.
Como o Centro é pequeno, andar a pé é a melhor receita para conhecer nichos onde você pode descobrir alguma peça imperdível para decorar sua casa. Para o visitante, o mais natural é seguir em direção à feira de artes, com sua imensidão de barracas, cujo número até a prefeitura desconhece.
O complemento obrigatório nessa viagem é uma visita ao Museu de Arte Sacra, mantido pela Fundação Páteo do Colégio, de São Paulo. Originalmente um convento, o prédio abrigou os jesuítas em sua tarefa de catequizar índios na região. Estamos falando de início do século 17, data da sua construção.
Entrar no museu é uma experiência única. Mesmo tendo sofrido com anos de abandono e má gestão, em que não faltaram pilhagens ao seu acervo e boas histórias sobre seu passado , o lugar dá bem a dimensão de como era a organização cotidiana dos padres (leia mais nas próximas páginas).
O ponto negativo da cidade fica por conta da característica de seu movimento de final de semana, apelidado de turismo de um dia. Geralmente quem vai à cidade aos domingos, lá não permanece muito tempo depois que a feira se encerra, por volta das 18 horas. O comum é voltar para São Paulo, onde a maioria dos visitantes está hospedada.
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