As crises existem desde o princípio. Não há nada de novo debaixo do sol; não existe nenhuma ideologia para andarmos descalços no futuro. Muito pelo contrário. As pessoas estão cada vez mais vaidosas, gastando sempre maior número de pares de sapatos do que no ano anterior. Até para banho e tosa de cães multiplicam-se as clínicas veterinárias. O nervosismo de mercado terá que se estabilizar; países ricos que lucravam com a miséria dos pobres terão que se adaptar pois os subdesenvolvidos aprenderam a não depender mais de empréstimos. Está escrito em Eclesiastes 11:4: "Quem observa o vento nunca semeará". Nenhuma tempestade dura para sempre. Temos que continuar remando nosso barquinho. Tinha um vendedor de laranjas no meio de uma estrada. Era analfabeto, de modo que nunca lia jornais. Colocava pelo caminho alguns cartazes, e passava o dia apregoando a doçura de suas laranjas. Todos compravam e o homem progrediu. Com o dinheiro, colocou mais cartazes e passou a vender outras frutas. O negócio ia de vento em popa quando, um belo dia, seu filho, que se formara em jornalismo na grande cidade, veio visitá-lo e foi logo dizendo: "Papai, você não sabe que os tempos estão difíceis?". "A economia do País anda péssima. Tenho feito grandes manchetes sobre as falências que se aproximam". Preocupado e com medo, o homem reduziu o número de cartazes e diminuiu as encomendas de frutas. As vendas despencaram imediatamente. Temeroso disse: "Meu filho tem razão, ele é mais informado do que eu. Os tempos estão difíceis". E parou com tudo.
Carlos Matias
Franca - SP
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