O estilo `slow`


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Em inglês, “slow” significa devagar, lento, moroso. Certamente você já ouviu a expressão `slow motion`, que traduzida livremente quer significar câmera lenta, muito utilizada pela cinematografia e televisão. Agora, "slow" passou a ser utilizado também para denominar uma filosofia de vida, um estilo de comportamento. A este respeito a revista Época, edição 555, página 38, trouxe um interessantíssimo artigo mostrando um movimento que se verifica no mundo todo e que tem por objetivo a desaceleração do consumo, dos hábitos de vida apressada e convida a um repensar do nosso modo de vida. O estilo slow está baseado nos trabalhos do filósofo Henry David Thoreau (1817-1862), que desiludido da onda de consumismo que invadia os Estados Unidos, refugiou-se na floresta de Walden e procurou viver em estado de “simplicidade natural”. Foram as teorias dele que influenciaram pacifistas como Gandhi, Kennedy e Martin Luther King. A proposta do movimento é a de fomentar a vida com menos e melhor. Combate, por exemplo, a chamada “fast food”, a comida pronta que se come rapidamente, de preferência de pé, pensando apenas na satisfação das necessidades materiais do organismo. Ao contrário, propõe refeições simples, saboreadas com os familiares, feitas com alimentos naturais e não contaminados. A esse respeito, a cidade japonesa de Kakegawa se proclama a "primeira cidade slow do mundo” porque sua prefeitura lançou programa convidando os cidadãos à busca de uma vida mais saudável, andando a pé, morando em casas menores e feitas de papel e bambu, e voltando ao hábito do chá em família. O movimento está influenciando também o turismo, porquanto, ao contrário daquelas viagens loucas do tipo “conheça 15 capitais em 7 dias” – nas quais você passa correndo pelo aeroporto das capitais visitadas e o roteiro diz que você conheceu o país! –, diz que o melhor é visitar uma cidade por vez e procurar conhecer o povo, os costumes, a cultura em profundidade. Diz o diretor de redação Hélio Gurovitz, no editorial, que esta é uma “tendência mundial cuja motivação não é, apenas, financeira, mas a consciência de que gastar menos possa levar a mais felicidade”. Parece que o consciência humana finalmente desperta para com os valores ensinados pelo Cristo há 2000 anos! Valores ensinados e vividos pelo Mestre Jesus que apregoava: “Por que vos afadigais pelo dia de amanhã?”; o mesmo Mestre que nos dizia: “O Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça!”. Se verificarmos o que nos conta a história sobre os hábitos de Jesus veremos a total simplicidade de viver. Despojado de posses, bens, valores, títulos, honrarias, poderes. Nada de suntuosidade. À época havia os Essênios, que procuravam viver em um estilo completamente “slow”, já naqueles tempos. Depois, Francisco de Assis que ao morrer, doou seu único hábito a Frei Leão, no verdadeiro voto de pobreza vivenciada. E há a Madre Thereza de Calcutá, a Irmã Dulce e o nosso Francisco Cândido Xavier, cujas vidas foram um hino à simplicidade e ao despojamento. Todos eles, contudo, irradiavam felicidade. Aqui vale a pena repetir, com Emmanuel: “aprendamos a viver com tudo e nada tendo”. Sábias palavras nos convidando à simplicidade. Perfeitamente de acordo com Chico Xavier quando, em prece, disse ao Senhor: “faze-nos mais simples para sermos mais felizes”. Felipe Salomão Bacharel em Ciências Sociais e membro da diretoria do Instituto de Divulgação Espírita de Franca

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