Elas aparecem sem ser chamadas. Às vezes, na ponta do nariz, um dia antes daquela superfesta. Marcam o rosto, são doloridas e formam imensos “calombos” no colo e nas costas. Quem tem sabe como é difícil lidar com esse transtorno, chamado acne, presente na vida da grande maioria dos adolescentes e jovens. De tão comum, a espinha, como também é conhecida, ganha comunidades em sites de relacionamento, páginas específicas sobre o assunto na internet, livros, pesquisas e mais pesquisas, além, é claro, de gerar muita confusão no que diz respeito ao melhor modo de se livrar delas.
Pomadas, cremes, sabonetes neutros, hidratantes, exposição ao sol e até mesmo as receitas caseiras sugeridas por aquela sua tia curandeira, tudo deve ser esquecido se não houver uma recomendação médica. Para a dermatologista francana Andrezza Barcelos, a automedicação, além de não resolver o problema, pode agravá-lo.
Elaine*, 25, luta contra as espinhas desde os 13 anos. Após passar por vários tratamentos e diferentes dermatologistas, tenta pela segunda vez acabar com a inflamação. Desde o ano passado, ela usa um medicamento que ajuda a secar a pele, diminuindo a oleosidade. “Sou encanada com espinha. Quando uma aparece fico desesperada”.
Aos 15 anos, a adolescente Júlia* ainda não consegue ficar sem espremer uma ou outra espinha que aparece de manhã na hora de ir para a escola, mas, após começar um tratamento, aprendeu a lidar melhor com essas inimigas. “Tem época que aparecem muitas, o rosto fica cheio. Minhas amigas falam para esconder, usar uma maquiagem ou uma base, mas o melhor é deixar ela respirar”.
A dermatologista Andrezza diz que o aparecimento da acne está relacionado à obstrução dos poros da pele, o que interrompe a saída do folículo. Com isso, aumenta-se o volume de queratina e de sebo na glândula sebácea provocando a secreção. O surgimento dos cravos é o primeiro grau que, se não tratado, faz surgir as espinhas num segundo momento. “A acne é uma doença complexa que pode surgir por uma pré-disposição genética ou outros fatores e não tem como evitar”, disse a profissional.
Alterações hormonais comuns na adolescência e uma alimentação não controlada, com abuso de alimentos gordurosos e artificiais, podem estimular a secreção das glândulas sebáceas existentes na pele, embora não haja pesquisas científicas que comprovem essa relação. No entanto, no caso dos alimentos gordurosos, a melhor recomendação é evitá-los.
Para os que se desesperam diante do menor sinal do surgimento de uma espinha, os dermatologistas dizem que acne tem cura, mas em alguns casos é preciso fazer manutenção do tratamento durante toda a adolescência e juventude. “Nas meninas, ela aparece próximo da primeira menstruação e pode durar até os 18 ou 20 anos. Na verdade, não existe uma idade certa para começar e terminar. Acne também ocorre em adultos”, diz a dermatologista Andrezza, há dez anos na área.
TRATAMENTO
Há quatro níveis de gravidade para a acne, que vão do aparecimento de cravos à proliferação de nódulos infeccionados na pele. Em todos os casos, o tratamento deve ser feito com orientação médica. Limpeza de pele com vapor e secativo, normalmente feita por esteticistas, está liberada. “O tratamento é de acordo com o tipo de acne e de pele e nunca deve ser feito por automedicação. Além disso, quanto mais cedo procurar um médico melhor”, disse a médica dermatologista.
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