Para pelo menos 1,3 mil trabalhadores da indústria calçadista de Franca demitidos em dezembro, esta semana foi de alívio. Depois de sofrerem com as incertezas do final do ano provocadas pela crise econômica e passarem o Ano Novo sem emprego e sem muita esperança, eles puderam respirar um pouco mais tranqüilos. Todos foram recontratados.
As vagas foram reabertas graças ao bom desempenho que as amostras criadas por 12 fábricas participantes da Couromoda (Feira Internacional de Calçados, Artigos Esportivos e Artefatos de Couro), que aconteceu na semana passada, tiveram entre os lojistas. Os pedidos fechados durante a feira garantirão a produção até meados de março. Para atendê-los, os fabricantes convocaram de volta os funcionários dispensados.
Só em cinco indústrias ouvidas pelo Comércio (Sapatoterapia, Score, Faccus, Ferricelli e Pipper), mais de 890 funcionários foram recontratados. Se as previsões de um começo de ano ruim não tivessem sido derrubadas na Couromoda, esse número não chegaria a 500.
A Sapatoterapia já trabalha com 112 funcionários que haviam sido demitidos. Outros 60 voltam ao batente na próxima semana. “Apostamos no lançamento de uma linha feminina e conseguimos bastante exportação. O cenário é de melhora”, disse o diretor da empresa, Leonildo Lopes Ferreira. Se tudo continuar como está, a Sapatoterapia terá de contratar mais gente. “Por causa do volume de pedidos, já estudamos a possibilidade de aumentar a produção a partir de abril”.
Em outras cinco empresas (Mironneli, Braddock, J.Gean, Delgatto e Doctor Shoes), o quadro de funcionários ainda não atingiu o mesmo patamar com que fechou novembro do ano passado, mas as recontratações já começaram.
Na Mironneli Calçados, apenas 25% dos 90 empregados demitidos em dezembro ainda não foram recontratados. “Retomamos a produção com 72 funcionários, mas queremos fechar o trimestre com força total. Para isso, ainda dependemos do resultado alcançado por nossos representantes que estão nas ruas”, disse Alan Carlos Marcondes, gerente administrativo.
Na Stefanello Calçados e na Francajel, os funcionários não foram demitidos em 2008. Mas, empolgadas com os pedidos fechados na Couromoda, as duas fábricas esperam criar novas vagas neste começo de ano. Na Stefanello, entre dez e 15 novos empregos serão criados na área de pesponto. “A Couromoda fez surgir novas oportunidades de negócio e novas contratações não estão descartadas”, disse o diretor da empresa Jaime Borges.
Coordenador do Ceder (Centro de Desenvolvimento Regional), o professor pesquisador Agnaldo Souza Barbosa diz que o momento é mesmo de otimismo e aponta para novas contratações e crescimento. “As vendas de Natal demonstraram que pode haver um boom de consumo, pois existe uma transferência de gastos. A classe média deixa de comprar produtos mais caros e passa a adquirir bens mais baratos e de qualidade”.
O presidente do Sindicato dos Sapateiros, Paulo Afonso Ribeiro, disse que só poderá ter um cenário da situação depois do Carnaval, quando há uma concretização das vagas de trabalho, mas confirmou que muitas já começaram a recontratar. “Em contato com um escritório de contabilidade, fui informado que as empresas estão mesmo contratando. Apenas uma pequena empresa recontratou 60 funcionários. A expectativa é boa e mostra uma retomada”.
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