Prefeitura vai ‘leiloar’ espaços entre os bolotas


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Os donos de bolotas e espetinhos que ocupam espaços públicos disputarão praticamente “a tapa” um lugar para trabalhar. Somente 33 deles terão direito a se fixar em áreas do município. Para isso, participarão de uma licitação - cujos valores ainda não foram definidos - e entrarão na briga pelos locais que forem disponibilizados pela Prefeitura e não pelos que ocupam atualmente. Quem não garantir lugar terá de se mudar para áreas particulares ou fechar. Em nenhum ponto será permitida a disposição de mesas e cadeiras. Os clientes terão de levar para casa os alimentos ou consumi-los em pé no local. A concessão dos espaços valerá por dez anos. As definições ocorreram durante reunião realizada na manhã de ontem entre o prefeito Sidnei Rocha (PSDB), o presidente da Câmara Municipal Joaquim Ribeiro (PSB), representantes de todas as bancadas do Legislativo e o promotor de Justiça Fernando Andrade Martins. Os comerciantes -maiores interessados - não foram convidados para o encontro para “evitar tumultos” segundo as próprias autoridades. Os locais, predeterminados por funcionários da Secretaria de Urbanismo, só serão oficializados após uma inspeção conjunta dos vereadores e de Fernando Martins. Caberá ao promotor definir quais poderão receber os estabelecimentos, mas não deverá haver empecilhos. “São canteiros recuados onde será obedecido o tráfego de veículos e pedestres”, disse Martins. Não haverá, a princípio, bolotas e espetinhos nas zonas oeste (região da Vila São Sebastião) e sul (Complexo Aeroporto, Jardins Noêmia e Elimar, entre outros). Nesses locais não existem áreas que atendam às especificações da promotoria. A maior parte das 33 áreas ficará concentrada no canteiro central existente entre as avenidas Chico Júlio e Integração, desde o Distrito Industrial até o City Petrópolis. Fora deste trecho, somente o Leporace e o Parque Progresso terão locais para os bolotas se instalarem. O projeto de lei para abertura do processo licitatório será enviado na próxima terça-feira à Câmara. “Não havendo empecilhos vamos abrir licitação para estas áreas”, afirmou Sidnei Rocha. SÓ 30? Na reunião de ontem, Sidnei Rocha disse que “não há estatística oficial” de quantos espetinhos ocupam irregularmente áreas públicas na cidade. A Prefeitura estima em 30. Na teoria, os 33 espaços a serem oferecidos comportariam a todos com folga. Mas o número real de estabelecimentos nesta situação é muito superior. A reportagem percorreu, na noite de ontem, as avenidas Abrahão Brickmann e Integração e constatou, somente nas duas vias, 28 trailers em pleno funcionamento. Questionado sobre o que acontecerá com os comerciantes que não conseguirem os espaços, Joaquim Ribeiro foi categórico. “Vai ter que entrar na licitação. E somente naquelas áreas determinadas pelo Ministério Público e pelo Executivo”, disse. MESAS E CADEIRAS Quanto aos bares e restaurantes, impedidos de dispor mesas e cadeiras nas calçadas, a questão parece estar mesmo fechada. O vereador Josivaldo Bahia (PTB), que é comerciante, disse ontem, após a reunião na Prefeitura, que o assunto não será mais discutido. “Eles não poderão mais usar. Isso já foi votado e vai ser impossível fazer esse uso”. Sidnei Rocha afirmou que a utilização das calçadas está fora de questão, mas que alguma solução alternativa poderá ser adotada. Não disse qual. “Isso nós só vamos discutir mais adiante. Vamos resolver um problema de cada vez”. Quem desobedecer à determinação ficará sujeito à multa que pode chegar a R$ 1,8 mil e à apreensão das mesas e cadeiras.

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