A mentira está virando rotina


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Cheguei a uma conclusão. A mentira necessita ser desmistificada, reintroduzida na sociedade, retirada da marginalidade. Todos os dias somos cercados de várias delas, uma mais necessária que a outra. Mentimos sempre, porque se não fosse assim, não sobreviveríamos. As mentiras colaboram para que nós tenhamos uma vida mais amena, suportável. Duvido que alguém consiga ficar um dia apenas sem falar uma mentirinha. Desde pequenos nos acostumamos a ouvir que mentir é feio. No entanto, mentir é considerado uma habilidade social que pode facilitar a relação entre as pessoas. Não é isso que estamos ensinando aos nossos filhos quando os condicionamos a ser simpáticos em situações sociais? Ou quando lhes pedimos para dizer que não estamos? Hoje, a mentira é transmitida por satélite, ao vivo, a cores, para milhões de boquiabertos famintos. Vivemos numa loteria de mentiras na qual ganha mais quem mente mais. A mentira, meus caros, é a base da sociedade. Imaginem vocês se nossas mães não mentissem dizendo que havia um bicho-papão ou outro tipo de ameaça caso não tomássemos a sopinha ou o óleo de fígado de bacalhau (argh...)? Nunca se mentiu tanto como agora. Quando a mentira é aceita, escrita e impressa chama-se romance. Quando passa na televisão, novela. Por falar em televisão, de vez em quando aparecem na tela uns sujeitos de terno e gravata, que quando começam a dizer: “no meu governo...”. Fique esperto, porque vem mentira da grossa. Sei que o tema está meio desgastado e que essa é a desculpa dos mentirosos mais caras-de-pau, mas podemos fazer estragos maiores falando sempre a verdade. Não pense o leitor que sou imoral, amoral ou que não tenho ética. Esclareço que só sou a favor dessas mentirinhas cotidianas que não fazem mal a ninguém, como por exemplo: “O trânsito estava horrível!”. É a primeira mentira que se conta em uma reunião quando se chega atrasado. “Foi muito produtiva”, talvez seja a última. Ou então, a do tipo doméstica: “estava em uma reunião, querida”. A prezada e ludibriada leitora já deve ter ouvido isso. “Hoje não, estou com dor de cabeça”. O prezado e desprezado leitor já deve ter ouvido isso também. De vez em quando até induzimos alguém a mentir. Quem nunca disse, ao ouvir o telefone: “se for tal pessoa, diga que eu não estou”. Você já fez isso, que eu sei. Agora, aquelas mentiras cabeludas, que prejudicam, caluniam, difamam e injuriam terceiros eu não gosto não. Tenho saudade dos tempos em que a mentira era contada como mentira mesmo. Tanto o narrador quanto o ouvinte sabiam disso. Em Franca conheci verdadeiros profissionais da “cascata”, mas nenhum deles se igualava à “Joaninha da Catraca”. Como mentia bem o velho e simpático “Joaninha”. Era um prazer, ainda garoto, sentar-se perto dele na quitanda do “Tio Carlinhos”, na Rua General Osório e ficar horas a ouvir as mentiras que ele contava. Uma delas ficou marcada. Contou “Joaninha” que certo dia pescava tranquilamente nas águas do rio Sapucaí. De repente viu um dourado de uns 3 quilos puxando por uma linha de anzol um douradão enorme de umas duas arrobas. A explicação do “Joaninha” é que o douradão era cego, e o peixinho o guiava para cima e para baixo do rio para ele não se perder. Essa e outras que “Joaninha” contava eram mentiras inocentes que não prejudicavam ninguém. Pura criatividade! Devemos evitar a mentira que pode causar feridas insanáveis. A vida é assim: feita de verdade e de mentira. Ambas fazem parte da natureza humana. Como tal, teremos que conviver com elas, o melhor que for possível. CRIANÇAS CARENTES As autoridades recomendam que não devemos dar dinheiro a criança, mas nada impede que se dê um pão com manteiga ou queijo, um brinquedo, uma roupinha, um boné para protegê-la do sol. E, na total impossibilidade de oferecer um desses mimos, um afago acompanhado do sorriso. Nada de grosseria. DE LEVE Antigamente, o castigo dado aos alunos era ajoelhar sobre grãos de milho. Hoje, na aula, eles comem pipoca. NEGATIVO Percebe-se que há pouco empenho das autoridades e nenhum por parte das operadoras em alertar a população, mas a verdade é que o uso contínuo do telefone celular pode trazer conseqüências danosas e ainda incalculáveis ao cérebro. A demora na utilização desses aparelhos teria influência direta na destruição das células cerebrais. Sendo necessária a utilização, os malefícios podem ser amenizados com o revezamento de ouvido nas ligações mais duradouras, uma precaução que vale muito a pena adotar. POSITIVO O nosso basquete pode ser tricampeão paulista se bater Limeira nesses dois confrontos que fará em casa, hoje e amanhã. A série melhor-de-cinco do playoff está empatada em 1 x 1, depois da heróica vitória por 104 a 96 após duas prorrogações, no primeiro jogo em Limeira. Enfrentando sérios desfalques de atletas por problemas físicos, a presença do torcedor vai ser fundamental para empurrar o quinteto francano ao título. RELATÓRIO COMPROMETEDOR Banqueiro apaixona-se por uma jovem atriz e passa a cortejá-la, saindo com ela várias vezes. Precavido, antes de pedi-la em casamento, encomendou uma investigação sobre os antecedentes da moça. Em uma semana, o banqueiro recebeu o relato: “Passado irrepreensível. Comportamento até agora inatacável mas, há algum tempo, vem se relacionando com um homem de negócios de reputação duvidosa”. Edward de Souza Jornalista e radialista - edward@comerciodafranca.com.br

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