Empresas discutem redução de salários e de trabalho


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A crise mundial anda tirando o sono de muitos trabalhadores. As demissões, que vêm assustando muitas empresas, chegaram até mesmo na zona rural. Com receio de que o número de desempregados aumente, indústrias da região de Franca, Batatais e Ribeirão Preto começam a discutir formas de manter os empregados. Entre as alternativas estão a redução de jornada de trabalho e de salários e a implantação de bancos de horas. Em Batatais, três empresas entraram em contato com o Sindicato dos Metalúrgicos daquele município para negociar alternativas para evitar demissões em massa. O assunto será discutido em uma assembléia marcada para amanhã. Duas empresas querem reduzir 25% da jornada de trabalho que chega a 220 horas mensais e do salário que gira em torno de R$ 900. Outra pretende implantar o banco de horas. O resultado da assembléia atingirá mais de 900 funcionários de indústrias de peças e maquinário agrícola e de laticínios. O diretor do sindicato, Anderson Rodrigo Machado, acredita que a proposta será aprovada. “Essas empresas já demitiram. Os empregados estão com receio de perder o emprego.” A situação também preocupa Matão, que concentra 5.500 metalúrgicos. Segundo o sindicato, há sintomas claros e evidentes de que a indústria passa por período complicado. O sinal mais claro é que algumas empresas na cidade estão com os salários atrasados. O processo também está bem acelerado em cidades como Ribeirão Preto, Sertãozinho, Matão e São Joaquim da Barra. “A flexibilização do trabalho é uma medida que só pode ser levada em casos extremos. E, mesmo assim, só pode ocorrer se houver garantia de manutenção de empregos”, disse Élio Cândido, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Ribeirão Preto e Região. Os trabalhadores rurais também estão preocupados. Em janeiro, tradicionalmente, costumam ocorrer contratações de trabalhadores para serviços de capina, tratamento de lavoura e plantio de mudas. Nesse mês isso não se verificou. Segundo o presidente do Sindicato Rural de Pedregulho, Ely Martin, os fazendeiros estão demitindo em janeiro em vez de contratar. “Tem muita procura e pouca oferta. As contratações caíram 20% em comparação ao ano passado”, disse. Para Martin a crise na zona rural está diretamente ligada à falta de recursos dos cafeicultores para honrar as dívidas feitas principalmente com bancos para o custeio da safra passada. Sem dinheiro não há contratação nem trato da lavoura. “A situação pode piorar, já que a safra deste ano será menor e muitos produtores devem usar maquinário para a colheita, o que reduz ainda mais a necessidade de mão-de-obra”, disse Ely Martin. A mesma situação é sentida em Ibiraci (MG). Um levantamento realizado pelo Sindicato Rural daquele município revelou que, entre junho e dezembro do ano passado, foram efetuadas 700 demissões. A maioria dos cortes aconteceu nos últimos meses do ano. Para o presidente da entidade, Gaspar dos Reis, a situação é preocupante. “Tanta demissão não é natural. Os cafeicultores estão endividados. A crise está refletindo diretamente nas contratações do começo do ano”, disse o presidente.

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