Essa é a primeira regra! Pelo menos se você deseja reduzir em 60% o risco de desenvolver a doença de Alzheimer, o de acidente vascular cerebral (“derrame”) em 57%, melhorar sua capacidade de atenção e memória, combater a depressão e a ansiedade e ainda ter novos neurônios `nascendo` em seu cérebro após os 50 anos de idade.
Os benefícios cardiovasculares do exercício físico são reconhecidos há décadas. Também, seu efeito protetor contra cerca de doze tipos diferentes de câncer. A boa nova agora vem de numerosas pesquisas que mostram que o cérebro também é muito beneficiado por ele.
Apesar de toda a controvérsia que envolve a história da evolução do homem na face da Terra, uma certeza os paleoantropologistas têm: nunca ficamos parados. Ficar parado naqueles tempos significava morrer de fome ou virar comida de dinossauro.
Nosso ancestral direto, o Homo sapiens, iniciou sua longa caminhada na África há cem mil anos atrás e alcançou a Argentina há doze mil anos. Alguns antropologistas como Richard Wrangham, professor da Universidade de Harvard, acreditam que os homens andavam em média 10 a 20 km por dia e as mulheres metade disso. Outras pesquisas menos ortodoxas indicam que nos dias de hoje isso é o que andamos em média por ano.
Além de evitar doenças, o exercício físico melhora o desempenho intelectual. Estudos realizados em várias partes do mundo e em diferentes idades, comparando o nível de atividade física com o desempenho em provas que medem as várias capacidades intelectuais, mostram que o exercício regular melhora as memórias de curto e longo prazo, a velocidade de raciocínio, a atenção e a habilidade de resolver problemas.
Além de evitar doenças e melhorar nossa capacidade intelectual, a atividade física regular promove o nascimento de novos neurônios no cérebro, especialmente no hipocampo, no que se chama neurogênese. Esse processo é mediado por um “adubo” cerebral denominado BDNF (fator neurotrófico cerebral), até pouco tempo desconhecido.
A pergunta que não cala e que os pesquisadores ainda não conseguem responder é a freqüência necessária de exercício físico para obter esses benefícios cerebrais. Avaliando os estudos, parece recomendável que o exercício seja fundamentalmente aeróbico (caminhadas, corridas, bicicleta, natação, etc.), por pelo menos trinta minutos, cinco vezes por semana. Muito? Com certeza não. Bem menos que nossos ancestrais...
Marco Antônio Arruda
Neurologista da Infância e Adolescência e Doutor em Neurologia pela USP - arruda@institutoglia.com.br
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