‘Quero que minha filha tenha uma vida normal’


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A voz calma, o ar tranqüilo e o rosto angelical com que Valéria Gomes Freitas, 37 anos, recebeu o Comércio nem de longe lembravam a tragédia que enfrentou há quase três meses. Ela e sua filha Júlia são as únicas sobreviventes do ataque feito por seu marido, Hélder Massucato, que resultou na morte de dois de seus filhos, de sua sogra e no suicídio do próprio Hélder. Vestida com calça jeans, blusa rosa com uma camisa branca por cima e uma faixa na cabeça para esconder a cicatriz da cirurgia que fez por causa do tiro que levou na cabeça, a cabeleireira Valéria Gomes Freitas, 37, concedeu uma entrevista de duas horas. Chorou uma única vez - ao falar da morte dos filhos. Sorriu várias. Demonstrou uma força surpreendente. Citou Deus em muitos momentos. Ela tem esperança na recuperação de Júlia e quer voltar a trabalhar em seu salão de beleza, no Centro. Comércio da Franca - Como tem sido esse recomeço? Valéria Freitas - Tem sido uma surpresa. São situações novas com as quais estou aprendendo a lidar. Minha menina está de cama e ainda precisa muito da minha ajuda. Ela precisa de tratamento e amor também porque é uma fase difícil. Procuro fazer o melhor. Eu tenho muita esperança que, com o tempo, ela consiga ter uma vida normal, indo à escola, tendo suas amigas, tudo para ser feliz. Desejo que esse momento difícil fique no passado. Comércio - Como está sua saúde? Valéria - Fiquei com problemas no olho esquerdo e ainda tenho de fazer mais duas cirurgias. De um dia para o outro, tive muitas mudanças na minha vida, na parte emocional e na física. Eu espero ter muita força para lidar com essa situação. Não sei se no futuro terei alguma recaída, mas, se Deus quiser, vai dar tudo certo. Comércio - Você pretende voltar a trabalhar? Valéria - Sim. Já fiz uma cirurgia e preciso de mais duas para limpar os estilhaços da bala que permanecem na minha cabeça e colocar a prótese para o olho ficar aberto. Hoje não consigo abrir o olho. Acho que afetou algum nervo. Quero fazer as cirurgias logo e voltar para o salão. Preciso agilizar o meu retorno porque, se isso não acontecer, corro o risco de ter de fechar o salão que, sem mim, o movimento está fraco. Não vou voltar ainda porque a Júlia precisa muito de mim e, com as cirurgias, eu terei de me afastar por um tempo. Comércio - A Júlia era uma criança independente e hoje está presa à cama. Como é lidar com isso? Valéria - É uma mudança total de vida. Meus filhos já eram independentes, tomavam banho sozinhos, iam à escola, já se viravam. Agora estou praticamente com um nenê de volta e com mais cuidado ainda por causa das cirurgias que a Júlia fez. Ela está de cama e ficará assim por um bom tempo ainda.

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