Agente autônomo de investimentos há um ano e cinco meses, Wagner Marques Vieira tem uma carteira com 200 clientes, lê diariamente textos econômicos e não perde um lance das cotações do mercado financeiro. De longe, seu perfil parece o de um jovem bancário ou de um estagiário de administração, mas ledo engano. Aos 24 anos, Wagner é um executivo, chefia três funcionários e representa em Franca a Planner Corretora, espécie de escritório para investimentos na bolsa de valores.
Ana Paula Lemos, 24, e o namorado Paulo Sérgio Mariano, 26, após se formarem em publicidade, montaram há dois anos a Ello Produtora de Vídeos e produzem para empresas da cidade vídeos empresariais, vídeos institucionais e comerciais.
Dono da Forturbo, oficina especializada em turbinar carros, Marco Aurélio Garcia, o Foré, 32, conseguiu driblar a desconfiança dos primeiros clientes e da família e hoje vê a empresa crescer mais rápido do que esperava.
Juntos, Vieira, Ana Paula, Mariano e Garcia simbolizam uma parcela de jovens que, em vez de recorrerem ao mercado de trabalho em busca de emprego, investiram num negócio próprio para se tornarem patrões. Pelo menos, até ontem, ninguém tinha se arrependido.
Garcia lembra que, no começo, enfrentou muita resistência, não conseguia clientes, fiadores e muito menos limite em bancos. “Precisei quebrar esse preconceito e mostrar do que era capaz. Hoje tenho seis funcionários e reconhecimento. Tudo fruto do meu empenho”.
Com Vieira não foi muito diferente. Ele estudou e “ralou” bastante antes de virar patrão. “Fui pacoteiro em supermercado, estagiário em depósito, vendedor. Estudava, trabalhava e ainda fazia Tiro de Guerra”. O esforço parece ter compensado. Hoje ele não sofre cobranças, não leva “fumos” e tem mais tempo livre. “É diferente. A rotina fica gostosa. Quanto mais trabalho, mais ganho. Trabalho para ver o que é meu crescer”.
Ana diz que, antes de montar a produtora, precisou recorrer a um empréstimo no Banco do Povo e a um curso de administração. “Faltavam alguns equipamentos e a gente não tinha conhecimento da área administrativa. Então precisei procurar um contador e me inteirar do assunto”. Passado esse sufoco, os jovens empresários alugaram um imóvel e agora trabalham na montagem de um estúdio. “É muito bom ter liberdade para criar e ver as suas idéias vingarem. Além disso, faço o meu próprio horário e tenho mais vontade de trabalhar”.
A VOZ DE QUEM ENTENDE
Para a professora do núcleo de administração e marketing da Unifran (Universidade de Franca), Eva Susana de Oliveira, os quatro jovens mostraram ter ousadia, coragem e vontade, características fundamentais para sair do convencional e se tornar empreendedor. “O risco existe para todos, faz parte do processo. Mas com muito trabalho, conhecimento, informações precisas, controle, técnica e profissionalismo é possível chegar ao sucesso”.
No Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) de Franca, não há dados específicos sobre quantos jovens se tornaram chefes nos últimos anos na cidade, mas pesquisas apontam que mais de 80% das pessoas que procuram a agência para abrir seu próprio negócio têm até 30 anos. “Os jovens têm mais gás e são mais antenados, mas mesmo assim precisam ter alguns cuidados. O Sebrae, inclusive, oferece cursos e orientações específicas para esse público”, disse o consultor Rosivaldo Vieira.
Aos interessados em se tornarem patrões, os especialistas têm duas dicas essenciais: apostar em públicos específicos e jamais esquecer do volume de exigências burocráticas e tarifárias que cercam um negócio.
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