Responsável por pautar debates sobre violência e injustiça social, ajudar na difusão do cinema brasileiro e representar o Brasil no Oscar (Cidade de Deus), o diretor Fernando Meirelles assumiu um novo desafio ao filmar Ensaio sobre a Cegueira, já disponível em DVD.
O brasileiro, que levou às telas uma obra densa - o longa é baseado no livro homônimo do Nobel em literatura José Saramago -, assume nos extras do DVD que teve cuidado com o texto original e temeu a reação do escritor português.
A trama mostra o caos gerado na Terra por uma misteriosa epidemia de “cegueira branca”. As pessoas infectadas são colocadas em quarentena e confinadas em condições desumanas em um sanatório. Obrigados a lutar pela sobrevivência, os doentes começam a mostrar instintos primitivos.
Quem as ajuda é a mulher de um médico (Mark Ruffalo), vivida por Julianne Moore, que consegue enxergar sem dificuldades. Com o tempo, alguns deles se unem para resgatar o que lhes resta de dignidade. “Muita gente acha que a Mulher do Médico é muito passiva, mas, às vezes, aceitamos muita coisa”, disse a atriz.
Cauteloso e requintado - César Charlone recebeu um troféu no festival Camerimage pela fotografia -, Meirelles constrói um drama que provoca desconforto e inquietação e não poupa o público de cenas pesadas, como a de um estupro coletivo que, nas exibições-teste, fez muita gente sair da sala. “Vimos que estávamos pegando pesado e suavizamos”, conta o diretor.
O elenco faz a sua parte, mas é Julianne Moore quem segura as pontas. O elenco conta ainda com Alice Braga, Gael García Bernal e Danny Glover. Da Fox.
Polêmicas à parte, Ensaio sobre a Cegueira não decepciona e deixa uma reflexão válida: quem, afinal, consegue enxergar nos dias de hoje?
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