Houve um jogador croata que entrou para o Hall da Fama do basquete em 2002. Morto prematuramente em razão de um acidente automobilístico, ele passou para a história por sua qualidade, seu jeito simples de jogar e a pontaria certeira. Drazen Petrovic defendeu entre outros o Real Madrid, da Espanha, e o New Jersey Nets, da NBA. Para os amantes do basquete, os jogos que fez pela Iugoslávia foram os melhores.
Petrovic se tornou um dos que melhor se aproveitou da inclusão da linha dos três pontos em 1984. É dele a imagem mais sensacional relacionada a uma disputa esportiva que tenho da adolescência.
Não lembro exatamente o ano, mas foi na segunda metade da década de 1980. Sua seleção perdia para a União Soviética, rival tradicionalíssimo, por nove pontos. Para piorar, ainda era preciso recuperar a posse de bola. Faltava um minuto de jogo e já se ouvia que a vitória estava definida. A derrota para a Iugoslávia significava a eliminação. Mas o impossível eu vi pela TV. Sua equipe recuperou a primeira bola e ele, da linha dos três, acertou o arremesso. Nova saída e a jogada se repetiu.
Atônitos, os adversários não reagiram. A certeza era de que o raio que caiu duas vezes no mesmo lugar, voltaria a despencar em suas cabeças. Não deu outra. Na prorrogação, a vitória estava definida em razão da confiança ganha anteriormente.
Durante anos, fiquei com a imagem do frio Petrovic pulando no meio da quadra junto com seus companheiros. Domingo, eu vi algo ainda maior. Com 11 segundos para o fim da primeira prorrogação e depois de reagir quando poucos acreditavam, o Franca Basquete só precisava acertar uma bola de três pontos para empatar o jogo e decidi-lo em outro tempo extra. Quando Helinho a recebeu, atravessou a quadra e saltou para arremessar, eu sabia que a bola cairia. Caiu. Depois, nos cinco minutos seguintes a vitória era mesmo inevitável.
O jogo Limeira 96 x 104 Vivo/Franca, no dia 18 de janeiro de 2009, entrou para a história. Duas horas e meia de duração, duas prorrogações, alternâncias no placar e muito, muito coração por parte dos francanos. Tudo contra um time de plantel nitidamente superior.
A partida resume a história do clube, massageia o ego e a auto-estima dos francanos. A superação dos atletas e o acreditar sempre são mensagens já intrínsecas na alma do Franca Basquete e estendidas à população. “Eu sou francano. Da terra do basquete. Das vitórias impossíveis”. Jogos assim aumentam a identificação da cidade com o esporte. O exemplo que vem da quadra fortalece e leva o francano a pensar que poderá alcançar o inatingível. Vencer qualquer obstáculo. Superar o impossível. Nada melhor em tempos de crise econômica.
Quanto ao campeonato, restam duas partidas no Póli. Aqui a torcida fará sua parte com a certeza de que os atletas não deixarão de lutar. Ou seja, tem tudo para dar certo.
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