A lista de foragidos da Justiça que estão sendo procurados pela polícia de Franca tem quase mil nomes. Nos arquivos do setor local de capturas, há uma relação de 990 mandados de prisão expedidos e não cumpridos. A maior parte se refere questões administrativas, como falta de pagamento de pensão alimentícia. Marginais perigosos, como assaltantes, traficantes e assassinos completam a relação. Há pelo menos três casos em que os criminosos estão desaparecidos há mais de 16 anos. Algumas penas já estão prescrevendo.
Todos os meses a Justiça expede uma média de 80 a 100 mandados de prisão na cidade. São pessoas condenadas e que não tiveram o direito de recorrer em liberdade ou, então, situações nas quais o delegado requisitou reclusão para concluir alguma investigação. Neste último caso, pode ser decretada a prisão temporária, que vai de cinco a 30 dias, dependendo do crime, ou a preventiva, quando o suspeito representa ameaça à ordem pública ou ao cumprimento da lei. O prazo é indeterminado.
Cópias dos mandados são entregues para a Polícia Militar e para a Delegacia Seccional, que as distribui para suas unidades. O cumprimento, normalmente, é feito por meio de operações especiais e abordagens de rotina. “Em torno de 10% das ordens de prisão o juiz expede o contramandado antes mesmo de a pessoa ser detida. Esta situação é mais freqüente nos casos de pensão alimentícia. A pessoa vai e paga o valor devido antes de ser presa”, disse o delegado Wanir José da Silveira Júnior, responsável pelo Centro de Inteligência da Polícia Civil.
O policial acredita que aproximadamente 40% dos mandados de prisão expedidos pela Justiça são cumpridos em Franca. Os que não são, porém, chamam a atenção. A figura mais conhecida do álbum de procurados é a advogada Adriana Telini Pedro, que tem contra si dois mandados de prisão (leia mais no site).
Outros casos não tiveram o mesmo destaque, mas também chamam a atenção pelo longo tempo da fuga. Desde o dia três de março de 1993 a polícia mantêm em aberto um mandado de prisão contra Leandro Benito Sanches. Ele foi condenado a sete anos de cadeia por roubo. Sua pena vai prescrever no dia 14 de março. Se não for encontrado até lá, não poderá mais ser preso.
Daniel Ozório da Silva também foi condenado a dez anos em setembro de 93 por furto. A pena prescreve em setembro. A Justiça expediu mandado contra Adilmo Borges de Gouveia em 93 e outro dez anos depois. Ele nunca foi encontrado.
De acordo com o delegado Wanir, na relação de procurados, há pessoas que já morreram ou que deixaram a cidade há muito tempo. Falta de pessoal e endereços defasados - coletados na época em que o processo começou - são os maiores obstáculos que a polícia encontra para localizar foragidos. “Quando um mandado de prisão é expedido, o bandido já não está mais em sua residência ou em local onde seria fácil achá-lo. Outra dificuldade é o número insuficiente de policiais civis e militares. Muitos desempenham várias funções, sobrecarregando sua carga de trabalho”.
Sem a estrutura necessária, a polícia conta com denúncias ou com a sorte para prender fugitivos. São comuns os casos em que uma pessoa procurada é presa ao ser abordada em uma blitz aleatória, ou quando vai tirar um documento ou resolver problemas particulares em Fóruns, por exemplo. “Desde que haja uma condenação ou é decretada a prisão o criminoso já passa a constar do sistema de procurados em todo o País”, disse Márcio.
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