Procurar emprego em Franca está mais difícil neste começo de ano. O motivo é o alto número de demissões, ocorridas no último trimestre do ano passado, que acirrou a disputa por uma vaga. As dispensas ocorreram, principalmente, por causa da crise econômica mundial que teve reflexo em Franca. Sem conseguir expandir seus negócios e pagar dívidas, a Amazonas, por exemplo, no final do ano passado demitiu quase 400 funcionários. Para piorar, existe pouca oferta de trabalho em janeiro.
Um indicador do quanto cresceu o desemprego é o número de pedidos do seguro-desemprego, feito no MT (Ministério do Trabalho). Só entre novembro e dezembro de 2008, os pedidos cresceram 16,8% em relação ao mesmo período do ano passado. Foram 4.672 solicitações nos dois últimos meses do ano anterior ante 4 mil registradas no último bimestre de 2007. Para o gerente regional do MT em Franca, Jamil Leonard, se o movimento continuar como o registrado nestas duas primeiras semanas, janeiro deve fechar com crescimento nos pedidos de seguro. "Temos trabalhado com 200 senhas por dia, mas não é suficiente. Hoje (sexta-feira) estamos com o agendamento para o dia 4 de fevereiro".
Com tanta gente fora do mercado de trabalho, o movimento nas agência de recrutamento da cidade é grande. Em alguns casos, a lista de empregos é quase disputada "a tapas". Os telefonemas de interessados numa vaga também não param. Supervisor de Recursos Humanos e gerente da Poli Consultoria, Mateus Oliveira, acredita que a procura está quase 40% maior em relação a janeiro do ano anterior.
Para ele ninguém quer perder tempo ou aguardar o Carnaval passar para começar a buscar uma recolocação no mercado de trabalho. "Tem muita gente desempregada, o movimento é constante. Somente num dia chego, a receber 250 currículos", disse Oliveira.
Para a proprietária da RHDP, Roseline Marques, o desespero por um trabalho é tanto que muitos candidatos aceitam qualquer tipo de vaga. "As pessoas ficam preocupadas com a prestação do carro que vai vencer e todas as outras dívidas. Encontrar um emprego é uma necessidade de emergência". A agência recebeu na última segunda-feira mais de 200 currículos.
O cortador Fransérgio da Silva Garcia, 28, é um dos que está na batalha por um emprego. Desempregado desde a primeira quinzena de dezembro, ele resolveu ir atrás de uma vaga diretamente nas empresas, mas o resultado não tem sido satisfatório. "Somente hoje (ontem) fui numas 20 empresas na região do Paulistano e no Distrito Industrial. Em alguns lugares, cheguei até encontrar fábricas fechadas, em outros falaram para passar depois. Muitos também disseram que está tudo parado e não vai contratar".
Para desempregados como Fransérgio, que estão em busca de uma vaga de trabalho no setor calçadista, a boa notícia é que as recontratações devem começar nas próximas semanas graças aos bons resultados de pedidos alcançados pelas indústrias na Couromoda, feira do setor que acabou na última quinta-feira.
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