Cansei-me de guerra, cansei-me da corrupção, atropela-me a mente as mortes no trânsito, sufoca-me a vida, os conchavos políticos, tortura-me o lucro dos banqueiros em parceira com o manda-chuva travestido de operário que já não é, pois que lida com seus bilhões entre seus pares na casta dos magnatas a qual se associou com desenvoltura e brilho. Para que tratar aqui da falta de polidez, urbanidade e cortesia entre intelectuais? Em seu meio deveria grassar com destaque o exemplo lapidar dos princípios de educação.
Falemos de amenidades que gratifiquem ao espírito, que coloquem doçura em nossos corações tão endurecidos pelas agruras do cotidiano. Em 1925 – 5 de março – a Prefeitura de Patrocínio do Sapucahy expediu a carta de chauffeur número 68, assinada pelo prefeito Antônio Alves Falleiros habilitando para governo de automóvel o senhor Antônio Falleiros, morador de Ityrapuan. O mesmo documento recebeu a chancela das seguintes autoridades: inspector de veículos, Elssídio Falleiros; secretário municipal, J. Ernesto Falleiros; delegado de Patrocínio do Sapucahy, Affonso Alves Falleiros.
Apesar do ato envolver membros de uma grande família, pode-se atestar com segurança que o beneficiário prestou exames e foi considerado apto, observando-se a ética que ainda era praticada nas relações humanas. Ao pé da carteira uma nota é digna de citação: “Esta carta há de ser apresentada na secretaria da prefeitura todas as vezes que o “chauffeur” mudar de automóvel ou de patrão".
Recentemente discutia-se na cidade a viabilidade de regularização para bicicletas e ciclistas nas ruas, assunto que se apagou como nasceu. Uma curiosidade de legislações municipais nos colocou em mãos uma carteira de habilitação de carroceiro datada de 8 de julho de 1942, momento em que ocorreu o exame de habilitação do requerente. Em primeiro de janeiro de 1943 o delegado de polícia de Uberaba (MG) assinou em favor de José Garcia do Nascimento a carteira de número 349, identificada sob o número 10.991 com a seguinte anotação: "Carteira de Habilitação para que possa dirigir em todo território do município, veículo de tração animal".
Ao firmar o documento o delegado o fazia por delegação da prefeitura com. Foi naquele momento, um caminho para disciplinar o trânsito. E agora José?
Meu arroubo final, carregado de amor e sentimentalismo, deposito nas lindas pétalas afortunadamente coloridas e imóveis à minha frente, espargindo encantamento nos últimos dias e assomando com seu acalanto minha alma, para embriagar e encantar. A orquídea que você mandou antes do Natal tem os finos traços de uma pintura e inunda-me o íntimo com a ternura e carinho de asas de borboleta apaixonada, na esplendorosa luminosidade solar.
A copia da carta de motorista me foi cedida pelo Dr. Jairo Corrêa, francano residente em São Paulo, precursor da Sociedade Paulista de Ortodontia, sendo o habilitado Antônio Falleiros um ilustre ancestral. O habilitado José Garcia do Nascimento, para dirigir veículo de tração animal, era meu pai.
Garcia Netto
Jornalista
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