Marta Raimunda de Paula, 50, moradora na Rua Antônio Constantino, no Jardim Guanabara trabalha como catadora de recicláveis. Nas ruas recolhe papelão, latas, vidros, plásticos e outros materiais que possam ser vendidos em ferros-velhos. Ao fim de cada dia, tudo que ela coleta é depositado no quintal e na calçada de sua casa, que virou uma espécie de "lixão" a céu aberto.
Os pedestres mal têm espaço para passar pelo local. Um galinheiro no fundo do imóvel completa o cenário. O mau cheiro pode ser sentido de longe e nos últimos dias, com as chuvas, está ainda pior. A presença de animais como ratos e baratas no local é constante.
Nem mesmo os familiares da catadora - que divide a casa com três filhos e três netos - suportam o fedor e as montanhas de lixo. "Tenho leucemia e preciso ficar em um lugar limpo para evitar outras doenças. Já cansei de falar para minha mãe parar com isso, mas ela não dá ouvidos", disse o sapateiro Érick de Paula, filho de Marta.
As chuvas têm ocasionado outros problemas. Como o lixo fica na calçadas as águas espalham os materiais por toda a vizinhança. Uma moradora próxima, que pediu anonimato, classificou a situação como insuportável. "Quinta-feira choveu forte e a porta da minha casa ficou cheia de lixo. Entendo que ela precisa fazer isso para sobreviver, mas as coisas passaram do limite. Já reclamamos na Vigilância, mas nada muda", disse.
A situação não é nova. Em dezembro de 2007, o Comércio esteve na casa de Marta pelos mesmos motivos. Após a denúncia do problema, a Vigilância Sanitária foi ao local e solicitou que os entulhos fossem retirados. Meses depois, estava tudo como antes.
A catadora se defende e disse que espera apenas a secagem do material para levá-lo ao ferro velho. "Nos últimos dias choveu muito e ninguém compra papelão molhado. Já estou organizando tudo e na semana que vem vou resolver o problema", disse Marta.
Em dezembro, após denúncias de vizinhos, agentes de fiscalização da Vigilância estiveram no local e notificaram a catadora, que tem até o próximo dia 22 para retirar o material do local.
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