O guarda-municipal Ricardo Alexandre Fradique, 37, é acusado de facilitar - de forma irregular - a retirada de uma picape e uma motocicleta do Pátio Modelo, da Prefeitura, onde ele trabalha. No local, são recolhidos carros apreendidos pela polícia ou com restrições judiciais. Legalmente, só poderiam deixar o pátio após a regularização de todas as pendências. A polícia acredita que Fradique tenha recebido dinheiro para fazer as liberações.
A DIG (Delegacia de Investigações Gerais) chegou ao guarda após uma denúncia anônima à Prefeitura, que acionou a polícia. Depois de colher evidências, o delegado Alan Bazalha Lopes decidiu indiciá-lo por peculato, corrupção ativa, sonegação de documentos e formação de quadrilha.
Além do inquérito criminal, Fradique terá de responder a processo administrativo na Prefeitura por ser funcionário público. Um outro servidor está sendo investigado e a Secretaria de Segurança e Cidadania, responsável pela administração do pátio, não descarta a possibilidade de mais veículos terem sido liberados de forma irregular.
O guarda foi ouvido ontem na sede da DIG e em seu depoimento confessou ter facilitado a saída dos veículos, mas negou ter recebido propina. Mesmo com a confissão, a Prefeitura não vai afastar Fradique de suas funções enquanto o processo interno não for concluído e ele poderá continuar trabalhando normalmente no pátio.
O delegado Alan Bazalha disse que a versão apresentada pelo servidor não foi convincente e que as investigações serão aprofundadas. “Hoje fomos na casa dele (do guarda) com mandado de busca domiciliar e encontramos sete chaves de motos que estão apreendidas no pátio e mais o documento de um Gol. Ele disse que só ajudou a retirar os veículos porque são de seus amigos, mas não acreditamos nesta versão. Estamos ainda em diligências, mas já o indiciamos diante de sua confissão”, disse policial.
CERCO FECHADO
A denúncia das liberações irregulares chegou à polícia pelo comandante da Guarda Civil, Sérgio Buranelli, atualmente secretário de Segurança e Cidadania, em dezembro do ano passado. Segundo ele, uma pessoa (cuja identidade foi preservada) teria denunciado a suposta prática.
O caso foi assumido pela DIG. Enquanto os investigadores procuravam provas e indícios, uma moto, que oficialmente estava recolhida no pátio, foi parada em uma blitz. O condutor da moto disse ter comprado o veículo do proprietário e o retirado do pátio com a facilitação de Fradique. “Diante destas novas provas passamos a intensificar as diligências e descobrimos que ele também liberou uma picape”, disse Alan Bazalha.
O proprietário da picape teria procurado a polícia depois de ir ao Pátio Modelo para retirar o veículo - após regularizar sua documentação - e descobrir que não estava mais recolhido no local.
A reportagem do Comércio tentou falar ontem com Fradique, por meio de seu telefone celular, em quatro diferentes horários no período da tarde, mas em todas elas o aparelho estava desligado. Na sede da Guarda Municipal, a informação foi de que ontem era seu dia de folga.
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